Amazon Kindle

Em 2007, a empresa de comércio eletrônico Amazon lançou um leitor de livros eletrônicos (e-book) por US$ 399 (depois reduzido a US$ 359) chamado Kindle. O Kindle não era o primeiro dispositivo dedicado unicamente à leitura de e-books, mas ele não enfrentava muita competição – não havia uma grande demanda no mercado para leitores de e-book antes do lançamento do Kindle.

A Amazon tem duas vantagens distintas sobre os fabricantes de leitores de e-book anteriores. A primeira é que a companhia projetou o Kindle, por isso ele faz interface perfeitamente com a loja online da Amazon. A Amazon.com hospeda centenas de milhares de títulos, muitos dos quais você pode comprar no formato eletrônico. E como o Kindle é sem fio, você pode acessar a loja sem ter de plugar o dispositivo no computador. Você pode comprar um livro ou assinar a versão eletrônica de um jornal na Amazon e fazer o download diretamente para o Kindle. A segunda vantagem é que a Amazon tem uma base de clientes grande. Ambos os fatores dão ao Kindle uma pernada de vantagem sobre seus concorrentes.

Por que você iria querer um leitor de livros eletrônicos em primeiro lugar? Uma razão é que um único leitor comporta muitos títulos. O Kindle pode armazenar até 200 títulos (livros, jornais, revistas e blogs) na sua memória. Ele também tem uma porta que permite ao usuário salvar os títulos em um cartão de memória, estendendo a capacidade do dispositivo. Algumas pessoas gostam da ideia de ter uma biblioteca eletrônica que ocupa muito pouco espaço físico.

A capacidade de memória do Kindle também o torna conveniente para viajantes. Com o Kindle, você não tem de se preocupar em colocar na mala livros pesados para a viagem. No Kindle é possível levar mais títulos que o necessário para toda a viagem, e se você decidir que quer algo completamente diferente no meio do caminho (pelo menos se estiver viajando pelos EUA), pode sempre acessar a loja da Amazon com o Kindle e comprar um novo e-book.

O Kindle também tem várias funções que você pode achar úteis enquanto estiver lendo. Você pode marcar uma página, destacar uma seleção de texto e até digitar notas enquanto lê. Com esses recursos, o Kindle tem o potencial de substituir os livros escolares impressos no futuro, algo a que muitos estudantes provavelmente dariam boas-vindas. Embora não pudessem mais vender a cópia usada do livro no final do ano letivo, eles não teriam de sair por aí carregando uma mochila cheia de livros pesados.

A parte de trás do Kindle é emborrachada, para evitar que ele escorregue

O Kindle tem um “gabinete” plástico quase branco e uma forma chanfrada assimétrica, como um desses fichários de três furos. A parte de trás é emborrachada, o que facilita na hora de segurar o dispositivo. Ele tem 19 cm de comprimento, 13,5 cm de largura e 1,8 cm de espessura. Pesa apenas 280 g.

A característica central do Kindle é sua tela de papel eletrônico. Ela mede 15,2 cm na diagonal e tem resolução de 167 pontos por polegada. A tela pode exibir apenas imagens em preto e branco. Ao contrário das telas de LCD, ela não tem iluminação traseira. Isso significa que você precisará de uma luz de leitura se quiser ler um e-book em um local com pouca luz ambiente.

Nos dois lados da tela há um conjuntos de dois grandes botões. À esquerda você vai encontrar botões para “próxima página” e “página anterior”. À direita, botões para “próxima página” e “voltar”. Alguns críticos comentaram que os botões “voltar” e “próxima página” funcionam de forma idêntica às vezes, e outras vezes fazem coisas diferentes, o que pode causar confusão. Muitos críticos também mostraram que o posicionamento dos botões pode fazer com que o usuário vire acidentalmente a página só de pegar no Kindle.

Na parte de baixo da tela você encontra uma roda de rolagem, um teclado e uma fileira de botões de função. A roda de rolagem funciona como uma interface de navegação – como um mouse -, permitindo que o usuário selecione opções ou linhas específicas do texto. Apertar a parte de baixo do botão é como clicar no botão de um mouse – ele permite que você ative funções. O teclado numérico permite que você digite notas enquanto lê um texto ou use o recurso de busca. As teclas de função estão associadas à busca e ao atalhos de menu.

Na base do Kindle você encontra uma entrada para fones de ouvido (o Kindle toca MP3), uma porta USB e um plug para adaptador de energia. Você também encontra um par de botões de volume. O botão de liga-desliga está na parte de trás do Kindle ao lado de uma chave que ativa o receptor sem fio do dispositivo. Debaixo do revestimento de borracha está um slot que pode aceitar um cartão de memória SD padrão. Você também encontra aí a bateria removível do Kindle.

O Kindle vem com um cabo USB, um carregador de bateria e uma capa protetora no estilo de um livro. A capa tem uma seção acolchoada que protege a tela e uma tira de elástico que mantém a capa fechada. A Amazon também tem uma seleção de acessórios para o Kindle, incluindo capas de couro e adaptadores para sistemas elétricos diferentes dos americanos.

Interior do Kindle

Em seu nível mais básico, o Kindle é apenas um computador portátil especializado. Ele tem muitos dos bits e peças que você esperaria encontrar em qualquer sistema de computador. Ele também tem um par de elementos que o diferenciam do computador médio.

A maioria dos componentes do Kindle se liga diretamente na placa de circuito. A placa de circuito atua como a fundação para os circuitos eletrônicos no Kindle. A maioria dos componentes não pode ser separada da placa. Os vários chips na placa são microcontroladores para o teclado, a roda de rolagem, a porta USB e outras interfaces.

O cérebro do Kindle é um processador Intel PXA255. O PXA255 é um processador de 32-bit que gerencia todos os comandos e aplicações no Kindle. O processador é um exemplo da arquitetura Advanced RISC Machine (ARM), ou Máquina Risc Avançada. A série de chips ARM tem recursos de economizar energia que a torna ieal para eletrônicos móveis.

O Kindle que está à venda para o mercado brasileiro tem um modem HSDPA (3G) com sistema de apoio para conexões EDGE/GPRS. A versão norte-americana, com maior capacidade de armazenamento e tela maior, utiliza modem EVDO, com apoio a 1XRTT e conexão pela rede de dados 3G da Sprint. Ao contrário do cartão WiFi, os modems HDSPA e EVDO utilizam o sistema de dados das operadoras de telefonia celular para transmitir e receber sinais sem fio.

A versão internacional do Kindle vem com memória interna de 2GB. Desse total, cerca de 1,4 GB estão disponíveis para o armazenamento de conteúdo – o equivalente a 1.500 livros. O Kindle também tem dois chips Infineon de 256 megabits Mobile-RAM e um chip Sapansion de 512 megabit, que armazena o informações do setor de boot do firmeware do Kindle.

O Kindle extrai sua energia de uma bateria de lítio-polímero (LiPo) recarregável. Ao contrário da maioria dos componentes do Kindle, a bateria pode ser acessada sem tirar a capa. A cobertura emborrachada na parte de trás do Kindle cobre a bateria. De acordo com a Amazon, a bateria fornece energia para o Kindle por até 4 horas com o wireless ligado, e até 2 semanas com o wireless desligado. A bateria está acessível para que o usuário a troque caso seja necessário.

O Kindle usa um sistema operacional baseado em Linux. De acordo com o hacker de hardware Igor Skochinsky, ele usa o Das U-Boot bootloader para inicializar o sistema operacional. Skochinsky experimentou o Kindle e descobriu vários comando interessantes, atalhos e aplicações escondidas no sistema operacional do Kindle. Por exemplo: ele descobriu que se você apertar as teclas Atl+SHIFT+M enquanto estiver no menu da Home, o Kindle abrirá o jogo Minesweeper.

Uma reclamação que as pessoas faziam dos primeiros leitores de livros eletrônicos era a dificuldade de ler palavras em uma tela LCD. Alguns usuários reclamaram que sessões de leitura longas forçavam muito a vista. A solução da Amazon para o problema foi o uso da tecnologia de tinta eletrônica. A tela de tinta eletrônica do Kindle parace mais papel do que LCD. Ela reflete luz da mesma forma que o papel. A tela não tem luz de fundo, por isso você vai precisar de uma fonte externa de luz para ler qualquer coisa.

Uma companhia chamada E Ink, em Cambridge, nos EUA, desenvolveu a tecnologia sobre a qual o KIndle baseia para exibir textos e imagens. Em evz de usar os cristais líquidos que voc6e encontraria em um LCD, ou o gás ionizado que você encontraria num display de plasma, a tinta eletrônica na verdade usa milhões de microcápsulas, de poucos mícrons de largura. Cada microcápsula contém um líquido transparente e milhares de partículas brancas e e pretas. As partículas brancas têm carga magnética positiva, e as partículas pretas têm a carga negativa.

São essas partículas positiva e negativamente carregadas dentro das microcápsulas que tornam o display de tinta eletrônica possível. Uma fileira de milhares de minúsculos eletrodos está disposta sob o display de tinta eletrônica. Quando um eletrodo emite uma carga negativa, ele repele as partículas pretas negativamente carregadas, empurrando-as para a parte superior da microcápsula. Ao mesmo tempo, a carga atrai as partículas brancas positivamente carregadas para a parte inferior da microcápsula. Quando o eletrodo emite uma carga positiva, as partículas brancas e pretas trocam de lugar e a tela parece estar vazia.

Mas se o eletrodo emite uma carga positiva, então ele atrai as bolas, puxando-as para baixo através da tinta. O display entaão revela a tinta para o leitor. Trabalhando juntos, milhares de eletrodos e milhões de microcápsulas geram o texto e as imagens que você pode ver em um display de tinta eletrônica. Através de cargas precisas, o Kindle pode exibir uma série de cinzas para oferecer sombra em imagens. Você até pode ajustar as configurações de fonte do Kindle para exibir texto em tamanho maior ou menor.

O Kindle usa menos energia para gerar uma página vista quando comparado com uma tela de plasma ou LCD. O site da empresa afirma que o Kindle tira energia da sua bateria a[emas durante a geração da página inicial. E não exige mais energia até que o usuário altere a página vista. Por causa dessa característica, a bateria do Kindle pode fornecer energia por até duas semanas com um única carga (assumindo que você esteja com o wireless desligado).

O Kindle tem um visor monocromático, por isso pode exibir apenas imagens em preto e branco; contudo, a empresa E Ink está trabalhando em displays de tinta eletrônica colorida. É possível que uma futura versão do Kindle seja full-color. Mas por agora, os usuários também terão de se conformar com imagens e texto em preto, branco e tons de cinza.

O display de tinta eletrônica é um dos pontos de venda mais fortes do Kindle. Outro é a maneira como o dispositivo faz interface com o inventário de livros eletrônicos da Amazon.

Para tirar o melhor proveito do seu Kindle, você vai precisar criar uma conta na Amazon.com. É um processo gratuito – tudo o que você precisa é de um endereço de e-mail válido. Uma vez criada a conta, você pode registrar seu Kindle na Amazon. Isso dará acesso à loja Kindle através da rede sem fio da Amazon chamada Whispernet.

O modem do Kindle dá a você acesso a uma loja eletrônica com mais de 190 mil livros, jornais e revistas. A Amazon oferece o serviço wireless de graça – não é necessário pagar uma taxa para acessá-lo. (Em alguns países, é possível que você tenha de contratar os serviços de dados 3G de uma operadora de telefonia móvel se quiser usar o serviço wireless do Kindle.) O Kindle permite que você compre livros diretamente no dispositivo. Mas você também pode olhar e comprar os livros da loja Kindle usando o navegador do seu computador. A Amazon enviará os livros comprados diretamente para o seu Kindle.

Você não precisa ter um computador para usar o Kindle. Essa é uma características que diferencia o Kindle de seus concorrentes. Ao contrário da maioria dos leitores de livros eletrôncios existentes no mercado, o Kindle não precisa ser sincronizado com outra máquina para transferir arquivos. Você pode navegar, experimentar, comprar e fazer o download dos títulos a partir do próprio Kindle.

Os arquivos que você acessa com o Kindle estão em um formato proprietário com a extensão .azw. Os arquivos azw incluem direitos digitais de gerenciamento (DRM) que impedem que você compartilhe seus arquivos com outros usuários. O Kindle pode lidar com arquivos Audible (.aa) e MP3, dois formatos populares de audio books. A Amazon também pode converter vários outros tipos de arquivos para o formato AZW, de modo que o Kindle possa lê-lo:

•Texto (.txt)

•MOBI desprotegidos (.mobi or .prc)

•Documentos Word (.doc)

•HTML

•Imagens (.jpeg, .gif, .bmp e .png)

•PDF(ainda em fase experimental)

Cada Kindle tem um endereço de e-mail exclusivo. Você pode enviar arquivos compatíveis para o seu Kindle mandando um e-mail diretamente para o dispositivo. A Amazon cobra US$ 0,10 para cada arquivo convertido. Se você quiser evitar a taxa, pode enviar os arquivos para um endereço especial no free-kindle.com para conversão gratuita. A Amazon vai converter os arquivos e enviá-los para um endereço de e-mail associado com sua conta Amazon. Para transferir os arquivos da sua conta Amazon para seu Kindle, você vai precisar conectar o dispositivo a um computador usando cabo USB. Essa é uma das poucas vezes que você terá de conectar o Kindle a outra máquina.

Cada compra que vocâ faz na Amazon vai para uma pasta especial chamada Your Media Library. A Amazon usa o modelo de armazenamento em nuvem, em que o arquivo mora em um dos servidores da Amazon. Isso significa que se você apagar um livro do Kindle para ganhar espaço, o registro de sua compra ainda existirá nos servidores da Amazon. Você pode escolher baixar o livro novamente para o seu Kindle sem nenhuma taxa adicional.

Em se lançamento, o Amazon Kindle custava US$ 399. Embora alguns críticos tenham  dito que o preço era muito alto, a demanda pelo dispositivo logo esgotou o estoque do dispositivo. Jeff Bezos, CEO da Amazon, pediu desculpas aos consumidores. Ele alegou que a empresa tinha vendido todo o seu estoque em menos de seis horas. Algusn jornalistas da Web e blogueiros insinuaram que o objetivo de Bezos não era pedir uma desculpa sincera – mas despertar mais interesse para o dispositivos.

Quando o Kindle começou a ser vendido novamente, o preço caiu para US$ 359. A Amazon não divulgou os números de vendas, fazendo com que muitos questionassem a popularidade do produto. Parecia que o Kindle pertencia ao reino do folclore – você não possuía um, mas o amigo de um amigo tinha.

Em outubro de 2008, a Amazon conseguiu uma enorme publicidade quando a apresentadora Oprah Winfrey declarou que o Kindle era o seu gadget favorito. A apresentadora devotou a maior parte do seu programa naquele dia promovendo o Kindle. Ela convidou Jeff Bezos para falar sobre o dispositivos, explicando seus recursos para a platéia. Oprah também anunciou um cupom eletrônico para o dispositivo. Os telespectadores poderiam entrar com o código “OprahWinfrey” na compra do Kindle para receber US$ 50 de desconto.

O Kindle e outros leitores de e-book vão revolucionar completamente a indústria de publicação? Talvez isso aconteça com o tempo. Mas por enquanto, as taxas de adoção desses dispositivos parecem ser mínimas. Parte disso se deve à relutância em desistir da experiência visceral de ler um livro físico. Outro fator pode ser o preço dos livros eletrônicos – apesar do fato de não haver meio físio envolvido, os livros custam quase o mesmo preço do que a cópia impressa.

Talvez você seja um estudante universitário esperando que o Kindle substitua a necessidade de carregar uma pilha de livros pesados. Embora o Kindle possa armazenar um ano inteiro de livros universitários (com espaço de sobra), há um par de problemas. O primeiro problema é que se o livro tiver gráficos e ilustrações coloridas, o Kindle não será capaz de exibi-las de maneira eficaz. O segundo problema é que o número de páginas no Kindle e na cópia impressa não correspondem necessariamente, dificultando a coordenação com os professores.

Mesmo assim, o Kindle e outros leitores de e-books parecem estar ganhando terreno. O Kindle está em sua segunda versão, com mais recursos, o que fazer os críticos da primeira versão mudarem de idéia. Quem sabe? Talvez os dias das megalivrarias estejam contados.

Fonte: Internet; Amazon.com; http://www.pcdoctor-community.com/blog/posts/2007/12/02/Inside-the-Amazon-Kindle/; http://www.appleinsider.com/articles/07/12/10/in_depth_review_can_amazons_
kindle_light_a_fire_under_ebooks.html; http://www.technologyreview.com/computing/20218/?a=f; http://eletronicos.hsw.uol.com.br/amazon-kindle6.htm.

2011 04 27

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