openSUSE 11.4

http://distrowatch.com/table.php?distribution=suse

O openSUSE 11.4 é o primeiro lançamento do ano a me empolgar de verdade. Para mim, o projeto é uma joia de valor subestimado na comunidade Linux, e enquanto os blogueiros não se cansam de discutir sobre as mudanças na interface de usuário no alpha mais recente do Ubuntu, ou sobre as novas tecnologias que estão pintando no Fedora, parece que ninguém comenta sobre as novas versões do openSUSE. Isso é péssimo, porque o openSUSE está sempre lançando versões bem feitas e com software atualíssimo, amparado por uma das ferramentas de configuração mais poderosas do mercado. Já se vão oito meses desde a versão 11.3, e eu estava curioso para descobrir o que os desenvolvedores tinham preparado para a 11.4.

O site do openSUSE é um dos mais atraentes da comunidade Linux. Os designers fizeram um bom trabalho: é fácil achar o que se procura, e há indicadores grandes apontando para as páginas de download, notícias, fórum e documentação. O site menciona alguns novos recursos disponíveis na versão 11.4: a troca do OpenOffice pelo LibreOffice. a versão 4.6 do KDE e o Firefox 4 (beta), além do GNOME Shell para os fãs do GNOME. Mudanças menos óbvias incluem um código de gerenciamento de pacotes aprimorado para sincronização mais veloz com os repositórios do projeto e os drivers de rede sem fio Broadcom. Há várias maneiras de se obter o openSUSE. O DVD de instalação completa vem com software para desktops e servidores. Também podemos escolher entre live CDs com GNOME ou KDE, e existe a opção de instalação em rede. Cada edição se apresenta em 32 e em 64 bits. Para meus testes, baixei o live CD com o KDE de 32 bits.

O live CD com o KDE tem 700 MB. Ao ser iniciado, ele abre um menu com opções para lançar uma sessão live, executar o instalador, verificar a mídia ou realizar um teste de memória. A verificação da mídia é rara hoje em dia, e acho bom que tenha sido incluída. Iniciei a sessão live, e o sistema abriu o KDE 4.6 com uma janela de boas-vindas, que oferece algumas informações básicas sobre o projeto openSUSE e links indicando onde o usuário pode obter ajuda ou aprender sobre o ambiente do KDE. Fechando a janela, nos deparamos com uma coleção de ícones para iniciar o Firefox, rodar o instalador do sistema, abrir o LibreOffice e obter ajuda online. Os ícones são brilhantes e atraentes, e o fundo tem uma cor que eu descreveria como verde metálico. Na parte inferior da tela temos o menu de aplicativos e a bandeja do sistema.

A instalação do openSUSE fica por conta do YaST 2, uma ferramenta poderosa que equilibra facilidade de uso e poder. Para começar temos a escolha do idioma, a confirmação do layout do teclado e a exibição da licença da distro. Na tela seguinte, o ajuste da hora e a escolha do fuso horário. Daí seguimos para o particionamento de disco, onde o YaST mostra seus talentos com a opção de particionamento orientado para novatos no Linux. Essa opção usa um layout com a partição do sistema, a partição /home e o espaço de swap. Depois de apresentados ao layout sugerido, podemos continuar personalizando as partições, se for o caso. Também temos a opção de configurar partições manualmente desde o início, e isso é fácil no openSUSE. Há muitas opções de tipos de partição, pontos de montagem e sistemas de arquivo, mas elas são apresentadas de forma clara e com boas configurações padrão.

É interessante observar que o openSUSE tem suporte a uma ampla variedade de sistemas de arquivo e layouts, incluindo o Btrfs e o gerenciamento de volumes lógicos. Depois do particionamento, o instalador solicita a criação de uma conta de usuário comum. A última tela mostra uma lista de ações a serem realizadas pelo YaST (particionamento, localização do gerenciador de inicialização e configuração básica). O usuário confirma as configurações para prosseguir com a instalação, ou opta por mudar alguma coisa. No meu caso, vi que o YaST ia colocar o GRUB na minha partição do openSUSE, e não na MBR do disco, como a maioria das distros faz por padrão. O processo de instalação completo levou uns vinte minutos nos meus computadores. Ao fim da instalação, recebi a ordem para reiniciar o sistema.

A primeira inicialização abre uma tela gráfica que avisa que o sistema está passando por uma configuração automática. Isso inclui o download de alguns pacotes da internet, e o processo todo levou uns cinco minutos nos meus computadores. A maior parte do processo de configuração não pode ser ignorada, mas o download pode, caso sua conexão seja ruim. Depois das etapas de configuração, surge a tela gráfica de login. A edição KDE do openSUSE vem com o IceWM, um gerenciador de janelas leve. É um ambiente alternativo para computadores com poucos recursos, e serve como saída de emergência caso o KDE seja corrompido.

Fiz o login no KDE, e o desktop apresentou o mesmo layout do live CD, com os mesmos ícones e o mesmo tema. A primeira coisa que me chamou a atenção foi o ícone vermelho do Network Manager na bandeja do sistema. Quando clicado, ele informou que o sistema não tinha conseguido achar uma conexão de rede. O curioso é que, ao abrir o navegador, eu vi que o sistema estava online. Os efeitos gráficos do desktop foram ativados por padrão nos meus computadores. Nada muito “cheguei”, só umas firulinhas para deixar o ambiente com um jeito mais dinâmico. A versão mais recente do KDE aprimorou alguns recursos, especialmente nas atividades. Para quem não sabe, as atividades do KDE são como desktops virtuais. Podemos criar novas habilidades usando a “castanha de caju” do KDE no canto do desktop, organizando os ícones e widgets. O ambiente de desktop memoriza o layout. Depois podemos criar outras atividades, com layouts, imagens de fundo e widgets diferentes, e alternar entre elas rapidamente. É como ter desktops virtuais preparados para tarefas específicas. As versões anteriores do KDE também tinham atividades, mas acho que a versão 4.6 é a primeira a tornar seu uso fácil e intuitivo.

Ainda falando sobre o KDE, e não sobre o openSUSE especificamente, queria aproveitar para mencionar uma coisa que vem me incomodando ultimamente. Esse negócio de maximizar as janelas quando as arrastamos para o topo da tela me parece muito pouco intuitivo. Se estou arrastando a janela pela barra de título, isso significa que o ponteiro do mouse está a poucos centímetros do botão para maximizar. Para maximizar a janela, eu só tenho que clicar no botão que obviamente realiza essa tarefa. Quando arrasto as janelas para o topo ou para os lados da tela, é porque quero que elas saiam do caminho. Aumentar a janela para tomar a tela toda nesses casos é sempre o oposto do que eu quero que aconteça. Felizmente, como acontece com quase tudo no KDE, há uma maneira prática de se desativar esse comportamento, mas eu preferia que o padrão não fosse esse.

O openSUSE vem com uma boa coleção de software atualizado. O sistema instala 3 GB de dados no disco rígido, e põe muitos itens úteis no menu de aplicativos. Temos Firefox 4 (beta), KMail, KTorrent e Choqok (um cliente de microblogging). O GIMP também está incluído, assim como uma ferramenta de manipulação de fotos chamada ExpoBlending e o LibreOffice 3.3.1. Tentei iniciar o ExpoBlending, mas surgia uma mensagem de erro avisando que faltava uma dependência e que o aplicativo seria fechado (depois eu baixei a tal dependência do repositório do openSUSE e o ExpoBlending passou a funcionar). O openSUSE não é a primeira distro a incluir o LibreOffice, mas talvez seja a primeira distro de destaque a fazê-lo em sua versão estável. O menu traz ainda um gravador de CDs, um visualizador de PDFs e um programa de agenda.

O Amarok cuida da reprodução da música, enquanto o Kaffeine fica com a reprodução de multimídia. Há um cliente de desktop remoto, uma ferramenta para backup e o Smolt, que faz o relatório do sistema. Os desenvolvedores incluíram ferramentas de acessibilidade, um gerenciador de downloads e utilitários para certificados e criptografia. Para gerenciar o sistema operacional, temos o YaST (já vamos falar dele) e o painel de configurações do sistema do KDE. Em uma instalação padrão, nem o Java nem o GCC estão disponíveis, mas eles estão nos repositórios. O Flash e outros codecs multimídia populares também não vêm instalados. O projeto openSUSE facilita a instalação de pacotes adicionais. Se você tentar abrir um MP3, por exemplo, surgirá uma janela perguntando se deseja adicionar o repositório necessário para a instalação do software, e um link apontará para a documentação do openSUSE sobre codecs, que explica por que alguns codecs não estão inclusos por padrão. O kernel é o 2.6.37.

O gerenciamento de pacotes e do sistema de modo geral fica por conta do YaST. Com ele, o usuário tem acesso facilitado a muitos aspectos do sistema operacional, incluindo o gerenciamento de contas de usuário e a manipulação de programas e repositórios. Com o YaST é relativamente fácil lidar com backups, discos, impressoras, firewalls e com o AppArmor. Para ser franco, boa parte do YaST não é muito atraente. Ele tem um estilo cinza, sério, que sugere uma forte preferência por funcionalidade em detrimento da forma. Pode demorar para você se acostumar ao monte de opções que o YaST oferece, mas eu acho a ferramenta muito útil e estável. O componente de gerenciamento de pacotes, em especial, parece não ter sido criado pensando em novatos, mas funciona bem. Para quem prefere um gerenciador de pacotes mais amistoso, o openSUSE inclui o KPackageKit. Esse front-end tem uma abordagem mais fácil, com o software dividido em categorias intuitivas e a maioria das opções extra ocultas ou ausentes. Infelizmente, o KPackageKit não é estável, e volta e meia trava ou não consegue realizar suas tarefas.

Quando há atualizações de software disponíveis, um pequeno ícone em verde e prata aparece na bandeja do sistema. Não parece uma boa escolha, já que a maioria das distribuições usa vermelho ou amarelo para indicar novas atualizações, e verde para indicar que o sistema está atualizado. Bom, um indicador verde é melhor do que não ter indicador nenhum. Eu costumo usar o YaST para gerenciar pacotes e adicionar repositórios, mas quando clico na notificação das atualizações o KPackageKit é aberto. Na primeira vez eu tentei usar o KPackageKit para instalar as atualizações. Ele pediu minha senha, a atualização parecia ter começado, mas antes de baixar qualquer coisa o programa fechou. Nenhuma mensagem de erro foi exibida. Voltei ao KPackageKit depois e consegui fazer a atualização, então cada um pode ter uma experiência diferente. O YaST funcionou de forma consistente para atualizar o software.

Quanto às atualizações, o openSUSE afirma liberar uma nova versão a cada oito meses, com um ciclo de suporte que dura dois lançamentos e mais dois meses. Isso quer dizer que o openSUSE deve ter suporte por dezoito meses, encerrando seu ciclo em setembro de 2012. Ainda sobre os pacotes, quando o usuário tenta abrir um programa que não esteja instalado pela linha de comando, surge uma mensagem indicando o uso do aplicativo “cnf”, que verifica se o comando digitado casa com algum programa nos repositórios. Se houver algum software correspondente, o openSUSE mostra o comando a ser usado para instalar o pacote.

Rodei o openSUSE em dois computadores: um PC genérico com CPU de 2,5 GHz, 2 GB de RAM e placa de vídeo NVIDIA, e um laptop HP com CPU dual-core de 2 GHz, 3 GB de RAM e placa de vídeo Intel. No laptop, o openSUSE teve bom desempenho. A tela foi configurada com a resolução máxima, o som funcionou de primeira e meu touchpad também. A placa de rede sem fio Intel é que não funcionou. No desktop, o openSUSE se saiu muito bem. Áudio e vídeo funcionaram instantaneamente. O desempenho foi bom nos dois computadores, e o desktop respondia bem. A inicialização foi um pouco mais lenta do que eu esperava encontrar em um Fedora ou em um Ubuntu, mas não muito.

Em uma máquina virtual, o desempenho do openSUSE foi ruim a princípio, já que os efeitos gráficos do desktop são ativados por padrão. Depois de desativar os efeitos, o desempenho no ambiente virtual se mostrou bom. A distro funcionou bem com 512 MB de memória. Dá para instalar e rodar o openSUSE com o KDE tendo apenas 256 MB de RAM, mas o sistema responde mal e eu não recomendo. Na verdade, o instalador do sistema não aconselha a instalação em computadores com menos de 1 GB de RAM.

O sistema operacional executa um servidor de email e um servidor SSH por padrão. No entanto, os desenvolvedores incluíram um firewall que mantém essas portas fechadas. Não sei se isso é um sinal de cautela ou de que a mão esquerda não sabe o que a mão direita está fazendo…

Muitas vezes eu concordo com aquela máxima de que quanto mais a gente conhece as coisas, mais desprezo sente por elas. Quanto mais eu uso certas distribuições, mais encontro bugs ou opções de design que não me agradam. A versão mais recente do openSUSE me deixou com a impressão contrária: quanto mais uso essa distribuição, mais gosto dela. O instalador e a inicialização se mostraram um pouco lentos, e senti a necessidade de desativar os efeitos de desktop e adicionar atalhos ao desktop, mas isso não mudou a situação. Essa distribuição é bem pensada, misturando software de última geração a um belo acabamento e a uma boa estabilidade, gerando uma combinação raramente encontrada em outros projetos.

O novo ambiente com o KDE é bem organizado, a documentação é clara e o sistema é equilibrado, sendo fácil de usar, mas sem incomodar. Os desenvolvedores encaixaram uma boa quantidade de programas no CD, e consegui realizar a maioria das tarefas sem ter que recorrer aos repositórios. A ferramenta de configuração YaST ainda é uma das melhores no mundo do código aberto, e o desempenho foi bom. Eu, particularmente, gostaria que o ciclo de suporte do openSUSE fosse um pouco maior, mas a distro está no mesmo nível do Fedora e do Ubuntu nesse sentido. Minha única reclamação mais séria diz respeito à instabilidade do KPackageKit, problema que resolvi usando o YaST. Acredito que dificilmente outra distro vá oferecer uma experiência melhor do que a do openSUSE em 2011.

Fonte: http://www.hardware.com.br/artigos/opensuse-114/

2011 03 31

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