NTFS

O NTFS é o sistema de arquivos poderoso e complicado usado pelo Windows. Poucos sistemas de arquivos oferecem tantos recursos, e para tratar de todos eles eu teria que escrever um livro. Na verdade, existe mesmo um livro que trata do NTFS em detalhes, mas já está desatualizado. A ideia deste artigo não é a de cobrir todos os recursos do NTFS, nem de apresentar de forma detalhada alguns desses recursos. Em vez disso, vamos cobrir sua estrutura básica e descrever alguns dos recursos mais avançados, com exemplos de utilização sempre que possível. Vamos nos concentrar nas coisas que o NTFS faz, e não em como ele faz essas coisas. É difícil ficar no meio termo entre um artigo informativo e um artigo detalhado, portanto incluí muitas referências para quem estiver interessado em obter mais detalhes.

Glossário de termos do NTFS

  • Setor – unidade de armazenamento de baixo nível no disco. Costumava ser de 512 bytes, mas agora está pulando para 4.096 bytes;
  • Cluster – unidade de espaço em disco de um sistema de arquivos que consiste de vários setores;
  • Sistema de arquivos – método de organização e armazenamento de arquivos e dados;
  • Partição – divisão lógica dos dados de um disco rígido. É formatada e abriga o sistema de arquivos;
  • MBR – abreviação de master boot record, ou registro mestre de inicialização, é tanto um setor quanto uma partição, e armazena as informações de inicialização do sistema operacional;
  • Metadados – atributos que ajudam a descrever dados de arquivos, como dono, tamanho, data de criação, tipo de arquivo etc.;
  • MFT – abreviação de master file table, ou tabela mestra de arquivos, que define um volume ou partição NTFS;
  • Disco básico – um disco ou volume básico é um tipo de armazenamento simples usado pelo Windows;
  • Disco dinâmico – discos dinâmicos são um tipo de armazenamento mais avançado usado pelo Windows. São úteis em computadores com muitos discos. Os discos dinâmicos oferecem recursos que não são oferecidos por discos básicos, como spanning, striping e RAID;
  • Tabela de partição GUID (GPT) – a GPT é uma nova arquitetura de disco que expande o conceito da MBR, tornando possíveis sistemas de arquivo muito grandes;
  • Slack – espaço desperdiçado devido ao tamanho do cluster de um sistema de arquivos.

Um sistema de arquivos de arquivos

O NTFS é um sistema de arquivos construído à base de arquivos. O principal deles é a tabela mestra de arquivos, ou MFT. A MFT é o principal arquivo de metadados, e contém ou aponta para todos os outros arquivos do NTFS. A lista de arquivos da partição, as informações de volume, as alocações de cluster; todas são arquivos. Uma exceção é o registro mestre de inicialização, que é uma partição do sistema, e não um arquivo. Ele precisa ser carregado pelo Windows para que o sistema de arquivos seja inicializado.

Cotas

As cotas do NTFS são uma maneira de garantir que certos usuários não ocupem todo o disco e de monitorar o uso do disco. As cotas de disco geralmente são mais úteis em servidores com vários usuários, mas uma cota pode ser usada para exibir um aviso antes que seu disco fique lotado, ou para evitar que seus parentes ocupem todo o disco com arquivos deles.

As cotas de disco podem ser criadas por usuário e por volume. Você pode configurar a exibição de um aviso sempre que a utilização do disco ultrapassar um limite predefinido. O aviso pode ser emitido para o usuário por email e para o administrador, via entrada de log. Também é possível definir uma cota rígida, de modo que o usuário que exceder o limite estabelecido não possa salvar arquivos até que exclua outros arquivos, que outro usuário vire o dono de alguns arquivos ou que o administrador aumente a sua cota. Quando forem definidas cotas, a verificação do espaço disponível só vai mostrar valores referentes à cota do usuário.

Para acessar as cotas em um PC, abra o Windows Explorer e clique com o botão direito no topo de um volume de disco, como por exemplo, Disco Local (C:). Selecione Propriedades, Cota, Mostrar Configurações de Cota.

Para acessar as cotas em um servidor, abra o gpedit.msc (o Editor de Política de Grupo). Navegue até Configuração do Computador, Modelos do Administrador, Sistema e Cotas de Disco. No lado direito, clique duas vezes em Limite de Cota Padrão e Propriedades de Nível de Aviso.

É prática recomendada notificar os usuários antes de aplicar cotas, e oferecer a eles algum tipo de backup ou estratégia de arquivamento. Alguns usuários levam a imposição de cotas para o lado pessoal. O uso de cotas aumenta um pouco o processamento, então use com sabedoria.

Os administradores podem acompanhar eventos relacionados a cotas nos logs de eventos. Para isso, selecione Painel de Controle, Sistema e Segurança, Ferramentas Administrativas, Exibir Logs de Eventos.

Backups melhores com a cópia de sombra

Lançada junto com o Windows Server 2003 e aprimorada no Windows Server 2008, a cópia de sombra possibilita backups melhores. Quando a Microsoft lançou o Vista e o Windows Server 2008, substituiu o venerável utilitário NTBackup pelo WBAdmin, ou Central de Backup e Restauração do Windows. Outros nomes são Backup do Complete PC ou Backup do Windows Server. O novo sistema de backup usa o serviço de instantâneo virtual, que por sua vez depende de recursos da cópia de sombra do NTFS.

As cópias de sombra permitem criar um instantâneo do sistema de arquivos sem ter que lidar com o problema do conteúdo dos arquivos mudar durante o backup. As cópias de sombra também contornam o problema dos arquivos bloqueados durante o backup. Os administradores não precisam mais desativar o servidor para liberar o sistema de arquivos de bloqueios causados pelos usuários. O tempo de inatividade afeta a produtividade, e sob condições ideais, produtividade é sinônimo de dinheiro.

Normalmente as cópias de sombra não precisam de manutenção, mas você pode usar o vssadmin para criar, excluir e listar cópias de sombra. Clique no botão Iniciar (no canto inferior esquerdo), digite CMD na caixa Pesquisar programas e arquivos e, na seção Programas, clique com o botão direito em cmd.exe e escolha Executar como administrador. Na linha de comando, digite:

vssadmin list providers

Se estiver usando o Windows Server, você pode criar uma nova cópia de sombra de volume digitando (troque vol pelo id do volume):

vssadmin create shadow /for=vol:

Se estiver usando o Windows Server 2008 ou mais recente, use o utilitário de linha de comando diskshadow para roteirizar operações de VSS.

Compactação fácil de arquivos

Lembram de como o Stacker era popular há algumas décadas? Não? O Stacker era um complemento feito por terceiros e que tornava possível dobrar o espaço efetivo no disco para arquivos de texto e escritório. Era fácil de instalar, seu uso era transparente e a coisa toda era tão bacana que a Microsoft tirou os caras do ramo ao incluir a compactação de arquivos no Windows. E tomou um baita processo por causa disso, diga-se de passagem.

No NTFS é possível definir a compactação de um arquivo específico, de uma pasta específica ou de uma pasta e suas subpastas.

Para acessar a compactação: no Explorer, clique com o botão direito em uma pasta ou arquivo, selecione Propriedades e, na guia Geral, clique no botão Avançados. Em Atributos de Compactação e Codificação, selecione Compactar o conteúdo para economizar espaço em disco. Depois que escolher uma pasta, o Windows vai perguntar se a compactação deve ser aplicada apenas a essa pasta ou também às suas subpastas e arquivos. Após a compactação de um arquivo ou pasta, o item em questão é exibido em uma cor diferente (o padrão é azul).

A compactação NTFS usa o método LZ77. Existem muitos métodos de compactação que oferecem uma compactação maior, mas o LZ77 oferece um bom meio termo entre compactação e velocidade. Com arquivos não binários, geralmente a compactação reduz o tamanho em 2x. Dá para compactar arquivos MP3, imagens JPEG e arquivos de vídeo, mas o LZ77 não vai oferecer uma compactação melhor, pois esses arquivos já são compactados.

Quando um arquivo não compactado é copiado para uma pasta compactada, o arquivo continua sem compactação. Quando um arquivo compactado é copiado para uma pasta não compactada, o arquivo é descompactado. Os arquivos compactados são descompactados de forma transparente ao usuário ou ao aplicativo que abre o arquivo.

Fluxos de dados alternados

Os fluxos de dados alternados devem ser o recurso mais subutilizado do NTFS. Um fluxo de dados é o conjunto de dados recuperados quando um aplicativo abre um arquivo. Se um editor de imagens abre uma imagem JPEG, por exemplo, ele obtém um fluxo de dados com as informações do cabeçalho JPEG seguidas por dados de imagem compactados. Isso é um fluxo de dados. O recurso de fluxos de dados alternados dá a qualquer arquivo a capacidade de ter vários fluxos. O Macintosh popularizou esse recurso, com seus forks de recursos, que eram usados para armazenar o ícone de um aplicativo e as informações de forma e posicionamento dos menus.

No NTFS, cada fluxo tem seu bloqueio oportunista, bloqueio de arquivo, tamanho de cluster, tamanho de arquivo e associação de aplicativo. Mas cada fluxo compartilha as permissões de arquivo e o nome de arquivo. O Windows usa o fluxo de dados alternado para armazenar atributos de arquivo. Clique com o botão direito em um arquivo, clique em Propriedades e selecione a guia Detalhes. É possível adicionar texto a campos como título, palavras-chave, número da revisão etc. Essas informações entram no fluxo de dados alternados chamado ?SummaryInformation.

Aqui vão alguns exemplos que você pode experimentar no seu PC (entrada em negrito, saída sem negrito):

C:\Users\Andrew>Echo Isto vai para o fluxo 1 > teste.txt:stream1
C:\Users\Andrew>Echo Isto vai para o fluxo 2 > teste.txt:stream2 

C:\Users\Andrew>More < teste.txt:stream1
Isto vai para o fluxo 1 

C:\Users\Andrew>More < teste.txt:stream2
Isto vai para o fluxo 2

Para exibir as propriedades de fluxo de um arquivo, use dir /R

C:\Users\Andrew>Dir /R

22/06/2010 11:01 AM 18 teste.txt

19 teste.txt:fork1:$DATA

17 teste.txt:fork2:$DATA

1 arquivo(s) 18 bytes

Os fluxos de dados podem ser usados para mesclar dados e executáveis. Por exemplo, você pode criar um único arquivo que se pareça com um arquivo de dados mas que também possa ser executado:

C:\Users\Andrew>Echo Estes dados entram aqui >data.txt
C:\Users\Andrew>Type teste.exe>data.txt:data.exe 

C:\Users\Andrew>Type data.txt
Estes dados entram aqui 

C:\Users\Andrew>Start ./data.txt:data.exe
Data.exe é executado...

Houve uma época em que os criadores de malware usavam os fluxos para ocultar suas criações nefastas. Não demorou para a turma do antivírus se tocar e adicionar a detecção de fluxos a seus produtos. Para que um aplicativo use um fluxo alternado, ele precisa ser criado para fazer isso. Esse não é o caso da maioria dos aplicativos, e por isso os fluxos de dados alternados praticamente não são usados no Windows. A Sysinternals tem um bom utilitário para este recurso do NTFS, o streams.

Triagem de arquivo

Estritamente falando, a triagem de arquivo não é um recurso do sistema de arquivos, mas sim um recurso de servidor de arquivos. Como ele é um recurso interessante, cabe falar dele aqui. A triagem de arquivo torna possível criar uma diretiva de sistema de servidor, possibilitando o bloqueio de tipos de arquivo especificados. Não quer ninguém baixando MP3 ou arquivos de vídeo no seu computador? Bloqueio neles! Veja como fazer isso.

Abra e expanda o Gerenciador de Recursos de Servidor de Arquivos, clique duas vezes em Gerenciamento de Triagem de Arquivo, selecione o nó Triagens de Arquivo, clique em Ações e clique em Criar Triagem de Arquivo. Na caixa de diálogo Caminho da Triagem de Arquivo, escolha a pasta onde a triagem será aplicada (por exemplo, C:\Documents and Settings). Use Copiar propriedades do modelo ou Definir padrão para definir seus parâmetros de triagem. Clique em Criar para criar a nova triagem.

É possível criar vários relatórios sobre atividades de triagem de arquivos usando o Gerenciador de Recursos de Servidor de Arquivos.

Pontos de montagem de volumes

Pontos de montagem de volumes são mais úteis em ambientes de servidores, mas é interessante conhecê-los, já que podem ser úteis em PCs também. Um volume é só uma partição com um nome. O volume mais popular, obviamente, é a unidade C:. Um PC doméstico talvez tenha apenas um volume, mas um ambiente de servidor pode ter dezenas deles. O que acontece se você tiver partições atribuídas de A: a Z: e ainda tiver que montar mais volumes? É aí que entram os pontos de montagem. Os pontos de montagem permitem que você monte e gerencie muitos volumes sem usar a convenção de nomes no estilo C:.

Os pontos de montagem permitem vincular de forma transparente vários volumes. Eles funcionam assim: clique no botão Iniciar no canto inferior esquerdo, siga para Painel de Controle, Sistema e Segurança, Ferramentas Administrativas, Criar e Formatar Partições do Disco Rígido. O utilitário Gerenciamento de Disco vai abrir. Escolha uma partição vazia ou crie uma. Depois de escolhido o tamanho, uma caixa de diálogo vai aparecer. Escolha Montar na seguinte pasta NTFS vazia e selecione a pasta vazia na qual deseja fazer a montagem. O novo volume pode ser formatado, e você pode dar um nome a ele. Pronto, o novo volume está montado na pasta vazia. O ponto de montagem é rotulado com a propriedade Volume Montado e designado por um ícone.

Montar um volume é uma ótima maneira de contornar o problema de ter uma partição C: cheia, e também de expandir o sistema de arquivos conforme a demanda. O utilitário mountvol oferece meios para criar, excluir e listar volumes pela linha de comando e para uso em scripts.

Links físicos, links simbólicos e pontos de junção

O Vista trouxe recursos de links que já estavam disponíveis há tempos nas comunidades UNIX/Linux. Um link físico parece com (e age como) o arquivo ou pasta para o qual aponta. Se você mudar um atributo no link, vai mudar no arquivo ou pasta de destino. Se excluir um link físico, você exclui o arquivo ou pasta de destino.

Para criar um link físico, chame a linha de comando e digite:

mklink /h novo_link destino_do_link

Com a chegada do Vista, os links simbólicos substituíram os pontos de junção. Um link simbólico é um arquivo que aponta para o arquivo ou pasta de destino. Ele pode ter permissões de acesso diferentes do destino, e pode estabelecer um vínculo entre volumes de disco diferentes. O link simbólico pode ser excluído sem afetar o item de destino. Ele também pode apontar para compartilhamentos de rede, coisa que um ponto de junção não pode fazer (o ponto de junção só pode apontar para pastas, o link simbólico pode apontar para arquivos).

E por que usar um link simbólico? Vamos supor que você tenha caminhos de arquivo profundos, e esteja cansado de ficar digitando caminhos longos ou de ficar clicando nas pastas no Explorer. Crie um link para o item em questão, e pronto, aí está o seu atalho. E o mais importante, você pode gerenciar versões de aplicativos ou criar um sistema completamente alternativo de pastas a partir da hierarquia pré-existente. Isso é útil para quem escreve código para duas plataformas diferentes (como para Mac, por exemplo).

Para criar um link simbólico, abra a linha de comando e digite:

Mklink novo_link destino

Um link simbólico é listado no Explorer com o ícone da seta branca. Clique com o botão direito no link simbólico, escolha Propriedades e a guia Atalho. A guia vai listar o link simbólico e o caminho para o destino.

Cuidado ao excluir links; use o rmdir. Não use o Explorer para excluir um link, e não use Del /s. Por quê? Porque os dois vão excluir recursivamente o item de destino e tudo o que estiver abaixo dele. Tenha cuidado também para não criar um ciclo de namespaces com os links. Estamos criando essencialmente um caminho circular de pasta, e isso pode travar seu antivírus e seus utilitários de sistema.

E os logs?

O NTFS usa o journaling, ou registro no diário, para se recuperar de erros com mais eficiência. Quando um arquivo é gravado no disco, várias coisas precisam acontecer. Para começar, é preciso alocar espaço no disco, depois os dados são escritos no disco como clusters de setores, depois os metadados são atualizados para refletir a localização no disco, a data de criação, o tamanho do arquivo, o dono, as permissões etc. Se faltar luz, ou se o sistema travar antes do processo ser concluído, várias coisas ruins podem acontecer. O espaço pode ser alocado e gravado, mas não atualizado. O resultado: clusters órfãos. Se o arquivo existia e estava sendo atualizado, ele pode ser truncado e os metadados podem não ser atualizados. Com isso, o arquivo seria menor do que o tamanho listado. Na época do FAT, esses erros seriam corrigidos com o chkdsk. Toda hora.

O journaling evita esses problemas, mantendo sempre o sistema de arquivos em um estado “apresentável”. Para isso, as atualizações no sistema de arquivos são registradas no log $LOGFILE antes de serem gravadas no sistema de arquivos. A primeira coisa que a gravação faz é ativar o bit incorreto do volume. Cada operação que modifica um arquivo em um volume NTFS é processada como uma transação, armazenada no $LOGFILE e separada por “checkpoints”, ou pontos de verificação. Cada transação é independente das outras, e é processada pelo serviço de arquivo de log. Esse serviço cria entradas Redo e Undo no $LOGFILE. O Redo permite que uma transação passe por um roll forward, ou que seja concluída. O Undo permite reverter a transação sem danificar o sistema de arquivos.

Se o sistema travar durante uma operação de gravação, o Windows detecta o bit incorreto na reinicialização, inicia o serviço de arquivo de log e realiza três passagens no $LOGFILE. A primeira é uma análise para determinar se algum cluster precisa ser corrigido, a segunda realiza redos extraordinários e a terceira realiza undos em transações que não podem ser concluídas.

As operações seguintes modificam um volume NTFS e criam transações no diário: criar, excluir, truncar, definir informações de arquivo, renomear e alterar a segurança.

O registro em diário impede inconsistências do NTFS com seus metadados, mas não impede a perda de dados. Se seu PC desligar no meio de uma longa operação de gravação, ainda é provável que você perca dados. Pelo menos dá para evitar uma longa verificação do chkdsk na inicialização e a possibilidade de um sistema de arquivos corrompido.

Não há muita coisa concreta que você possa fazer com o $LOGFILE, exceto ganhar moral ao bater papo com outros sysadmins. Mas é bom destacar um bom utilitário de análise do sistema de arquivos, o FSUTIL. Ele é um canivete suíço que lida com a atualização de diários de alterações, gerenciamento de volumes, cotas, links físicos, informações do sistema de arquivos e uma ampla variedade de parâmetros do sistema de arquivos.

Clique no botão Iniciar (no canto inferior esquerdo), digite CMD na caixa Pesquisar programas e arquivos e, na seção Programas, clique com o botão direito em cmd.exe e escolha Executar como administrador. Na linha de comando, digite:

fsutil fsinfo drives – lista todas as unidades
fsutil dirty query C: – verifica se o bit incorreto foi ativado em C:
fsutil fsinfo statistics C: – lista as estatísticas em C:
fsutil behavior set disablelastaccess 1 – um hack maroto que desativa a atualização da data de último acesso e melhora o desempenho do sistema de arquivos. Pode afetar programas de backup.

EFS – sistema de arquivos com criptografia

 

O EFS apareceu pela primeira vez no Windows 2000, e foi melhorando a cada nova versão, oferecendo uma criptografia forte e fácil de usar. Dependendo de suas necessidades pessoais e profissionais, a criptografia pode ser essencial.

Podemos definir a criptografia por arquivo ou por pasta (incluindo novos arquivos que forem criados dentro da pasta em questão), mas a criptografia não pode ser usada junto com a compactação. Vamos ver como ativar a criptografia básica: No Explorer, clique com o botão direito em um arquivo ou pasta e selecione Propriedades, Geral, Avançados, Criptografar o conteúdo para proteger os dados. Depois de criptografados, os arquivos e pastas aparecem com nome em verde no Explorer. No caso de um único PC, só quem estiver logado na sua conta poderá descriptografar o arquivo, e quando você estiver logado o arquivo será descriptografado automaticamente. Já em um servidor do Active Directory, a criptografia pode envolver servidores confiáveis, usuários confiáveis, agentes de recuperação, certificados, políticas de senha e múltiplos algoritmos de criptografia, e aí as coisas ficam mais complicadas.

Você também deve configurar as permissões de arquivo de forma apropriada. Certifique-se de que um intruso não possa ler ou gravar em seus arquivos criptografados.

Alguns problemas do EFS:

  1. O primeiro problema da criptografia é que se você perder sua chave ou senha, pode dizer adeus aos seus arquivos criptografados. Quando as senhas são criadas da maneira certa, leva um bocado de tempo para se conseguir quebrá-las;
  2. Se você usar uma senha óbvia, um intruso pode adivinhá-la e descriptografar seus arquivos;
  3. Se seu PC não estiver em um domínio e alguém obtiver acesso a ele, é muito simples redefinir sua senha do Windows e fazer login;
  4. Se você copiar um arquivo criptografado para uma partição não NTFS, o arquivo vai ser copiado sem criptografia. Isso pode acontecer se você copiar o arquivo para um disquete, um pendrive ou um CD-RW;
  5. Se a chave privada de um agente de recuperação não for arquivada e removida do perfil do agente, um intruso pode fazer login na conta do agente de recuperação e criptografar e descriptografar arquivos;
  6. O EFS não vai proteger o disco todo, caso seu laptop seja roubado. Se é isso o que você quer, confira o Bitlocker;
  7. O EFS não está disponível nas versões Home, Starter e Basic do Windows.

E sim, o Sysinternals tem um utilitário chamado EFSDump que inspeciona um arquivo criptografado e lhe permite saber quem mais tem acesso a ele.

Discos de formato avançado

E esses novos discos de formato avançado com setores de 4096 bytes? Como o NTFS lida com eles? Os novos discos de formato avançado são maiores, mais velozes e mais confiáveis, contando com setores de 4096 bytes em vez dos tradicionais setores de 512 bytes. Há boas chances de um futuro PC seu vir com um desses. A Microsoft começou a fazer planos para esses discos durante o desenvolvimento do Vista, logo o Vista e o Windows 7 sabem lidar com eles, ao contrário das versões anteriores do Windows. Como os setores de 512 bytes se encaixam perfeitamente em setores de 4096 bytes, esses discos oferecem emulação de 512 bytes, mantendo a compatibilidade com sistemas operacionais mais antigos. O problema é quando uma partição é criada e não se alinha a uma fronteira de 4096 bytes, resultando em um desempenho muito mais lento no Windows XP. Para evitar isso, use os utilitários que acompanham os discos novos. A Seagate tem o Smart Align, e a Western Digital tem o WD Align. Os discos de formato avançado são maiores, mais rápidos e melhores.

NTFS Transacional (TxF)

Junto com o Windows Server 2008 veio um recurso chamado NTFS Transacional, ou TxF. O TxF permite que as operações do sistema de arquivos sejam realizadas em grupos como transações, como acontece em bancos de dados. Isso é importante quando você tem um grupo de atualizações que precisam ser realizadas no estilo “tudo ou nada”, como por exemplo, quando você precisa atualizar um conjunto de arquivos de dados que dependem uns dos outros. Você não pode atualizar um sem atualizar os outros. Atualizar todos ou não atualizar nenhum seria uma transação. Geralmente uma transação tem começo, fim e um commit ou reversão. O commit conclui a transação; a reversão desfaz a transação toda, caso ela não possa ser concluída.

Isso parece ótimo para a criação de scripts de instalação e para operação em documentos e coisas do gênero, certo? Infelizmente, o TxF só está disponível por meio de chamadas de API e do acesso do PowerShell ao registro. Em outras palavras, quem quiser a funcionalidade do TxF vai ter que criar o código por conta própria. A API inclui diversas chamadas de transações, como CreateFileTransacted, DeleteFileTransacted, CommitTransaction e RollbackTransaction.

Até que mais utilitários e aplicativos compatíveis com as transações sejam lançados, o TxF vai ser mais útil para desenvolvedores mesmo. O TxF só funciona em partições em discos SCSI e Fiber Channel.

O que poderia ter sido o WinFS

Imagine se um sistema de arquivos tivesse um banco de dados integrado, e se cada aplicativo que precisasse armazenar e pesquisar dados não tivesse que escrever seu próprio banco de dados, mas sim usar uma API padrão. Sua coleção de MP3 estaria sempre atualizada; seria fácil exibir e fazer backup de seus vídeos; seria moleza achar aquelas fotos que você bateu anos atrás. E se os emails fossem armazenados diretamente no sistema de arquivos, e não em arquivos PST, podendo ser acessados por outros aplicativos?

O WinFS foi uma tentativa de se adicionar funções reais de bancos de dados ao sistema de arquivos por meio de uma API flexível e eficiente. Tratava-se de um novo sistema de arquivos e de uma extensão do NTFS, que deveria sair para o Longhorn (ou Windows Vista). O WinFS seria implementado por meio de objetos .NET e acessado com o T-SQL. Um arquivo específico, como um MP3, poderia existir e ser atualizado em múltiplos arquivos, por meio de uma view de banco de dados. O WinFS seria capaz de sincronizar as alterações nos dados em múltiplos sistemas usando a replicação de banco de dados. A atualização de metadados de um tipo de arquivo específico seria realizada de forma robusta usando funções de banco de dados.

A promessa era a de que o usuário, afogado em seus próprios dados, tivesse acesso rápido, limpo e ortogonal a eles.

Mas não era para ser. O primeiro beta do WinFS foi lançado em setembro de 2005. O segundo beta foi cancelado em junho de 2006. Nenhuma explicação foi prestada publicamente, mas provavelmente os atrasos no lançamento do Vista contribuíram. O Vista atrasou anos. Ele seria lançado originalmente no fim de 2003, mas só saiu em janeiro de 2007. O WinFS deve ter sido sacrificado em prol de uma data de lançamento para o Vista.

Referências

 

Fonte: http://www.guiadohardware.net/artigos/ntfs/ e http://www.guiadohardware.net/artigos/ntfs/segunda-parte.html

2010 12 29