ANDROID (GOOGLE)

Atualmente, o Android é sistemas dominantes nos smartphones high-end e tablets. Com exceção da Apple, da Nokia e da Microsoft (que por motivos óbvios têm preferido alavancar seus próprios sistemas), praticamente todos os outros grandes fabricantes possuem projetos relacionados ao Android, que vão de tablets, smartphones e smartbooks a robôs de limpeza. Com tantos projetos em curso, é de se esperar que o Android continue se popularizando nos próximos anos, com uma grande chance de se tornar a plataforma dominante para dispositivos móveis.

Ao falar no Android é impossível deixar de relacionar o sistema ao Google, que apesar de ser mais conhecido por causa do mecanismo de buscas, do Gmail e do AdSense, investe nas mais diversas áreas, de painéis solares a novos algoritmos de inteligência artificial. Em 2005 decidiram entrar também no ramo dos smartphones, adquirindo a Android Inc., uma pequena empresa de desenvolvimento de sistemas embarcados, dando origem aos boatos de que o Google estaria trabalhando no “Google Phone”.

Quando foi finalmente divulgado, em 2007, o projeto acabou se revelando bem mais ambicioso que o originalmente previsto. Ao invés de estarem simplesmente trabalhando em um modelo específico de smartphone, anunciaram um sistema operacional open-source (http://code.google.com/android/), baseado em Linux, que pode ser usado também em outros dispositivos.

Apesar de ter começado como um projeto particular, a partir de novembro de 2007 o desenvolvimento dos componentes open-source foi transferido para a Open Handset Alliance, uma fundação sem fins lucrativos, que, além do Google, inclui algumas dezenas de fabricantes de aparelhos, empresas de telefonia e desenvolvimento de softwares.

O Android é, sob diversos ângulos, uma antítese do iPhone. Enquanto a Apple optou por manter um controle estrito sob sua plataforma, controlando tanto o hardware quanto o software, impondo restrições aos desenvolvedores e controlando a distribuição dos aplicativos, o Google optou por seguir o caminho oposto, criando um sistema aberto e incentivando a criação de aplicativos para a plataforma, inclusive com prêmios em dinheiro.

Grande parte da estratégia em torno do Android é centrada no desenvolvimento de aplicativos por parte de outras empresas e programadores independentes. O Google entendeu que, assim como nos desktops, as plataformas de smartphones estão se consolidando e o mais importante passou a ser os aplicativos e não apenas o hardware ou as funções básicas do sistema. Tendo isso em mente, faz sentido que, sendo o último a entrar no mercado, o Google tenha investido pesado, montando uma grande equipe de desenvolvimento, investindo em contatos com fabricantes e na divulgação do sistema e incentivando a participação externa.

Enquanto a Apple tenta restringir os desenvolvedores, com medo de que aplicativos ruins possam prejudicar a imagem da plataforma, o Google adotou uma atitude liberal, disponibilizando as ferramentas e deixando que a coisa flua naturalmente. Você mesmo pode baixar o SDK no http://developer.android.com e começar a estudar o sistema usando seu próprio PC, sem nem mesmo precisar de um smartphone baseado na plataforma.

Entra em cena, então, o Android Market, que faz o papel de canal de distribuição, assumindo a função que no mundo Apple pertence à AppStore. Ele serve como um repositório central de softwares para a plataforma, permitindo que eles sejam instalados rapidamente. Em julho de 2010 o Android Market já atingiu a marca de 100.000 aplicativos, um número que deve continuar crescendo rapidamente.

O Android Market

Embora a ideia geral seja que aplicativos sejam compatíveis com todos os dispositivos baseados no Android, esta é uma ideia impossível de implementar na prática, já que cada aplicativo exige uma versão mínima do sistema para rodar, além de casos de aplicativos com requerimentos específicos (como para telas WXGA, que não rodam nos aparelhos com telas HVGA). Prevendo isso, o cliente leva em conta as características do aparelho sobre o qual está rodando, exibindo apenas os aplicativos compatíveis com ele.

Como de praxe, os aplicativos disponíveis vão desde aplicativos realmente inovadores e uteis, até mini-aplicativos especializados que se limitam a mostrar alguma informação específica, passando por todos os tipos de jogos e inutilidades, que se dividem entre aplicativos gratuitos e pagos. Infelizmente (agosto de 2010), os aplicativos pagos ainda não estão disponíveis no Brasil, mas nada impede que os aplicativos desejados sejam instalados manualmente.

Está disponível também o App Inventor, uma plataforma de desenvolvimento rápido, baseada na Open Blocks Java library do MIT, que oferece blocos de código com ações pré-programadas que podem ser “encaixados” para criar aplicativos funcionais em poucos minutos, combinando as funções disponíveis. Conforme programa, um demo é automaticamente mostrado em um aparelho conectado na porta USB, o que permite que você teste as funções enquanto desenvolve e no final transfira o aplicativo finalizado automaticamente.

A disponibilidade do App Inventor representa uma democratização da plataforma, já que permite que usuários com pouco ou quase nenhum conhecimento de programação possam desenvolver aplicativos simples para satisfazer as necessidades do dia-a-dia, sem depender unicamente dos aplicativos do Android Market.

Naturalmente, nem tudo são flores, já que embora os componentes básicos da plataforma (o kernel, o middleware baseado no Apache e os componentes da interface com o usuário) sejam abertos, o Google mantém o controle sobre o acesso ao Android Market e sobre os aplicativos que permitem acesso aos serviços do Google (Gmail, Maps, etc.). O controle sobre o Android Market é um aspecto importante da estratégia para evitar a fragmentação da plataforma (já que permite que o Google pressione os fabricantes e desenvolvedores em torno do desenvolvimento de softwares que sigam os padrões e rodem em diversos dispositivos, evitando o florescimento de aplicativos limitados, que rodam em apenas um ou alguns poucos modelos), mas por outro lado causa atritos com os fabricantes de aparelhos e operadoras e deixa muita gente com uma pulga atrás da orelha. Isso tem levado ao aparecimento de forks do sistema destinados a mercados específicos.

Um bom exemplo é o “OPhone”, desenvolvido por fabricantes Chineses, onde os aplicativos proprietários do Google são substituídos por aplicativos que se integram com serviços locais. O OPhone não oferece acesso ao Android Market, que é substituído por pequenas coleções de aplicativos oferecidas pelas operadoras locais e por pacotes instados localmente. Isso faz com que, embora compartilhe dos mesmos componentes básicos, o “OPhone” seja muito diferente do Android em termos de uso prático.

Outro aspecto significativo é que embora o uso dos componentes open-source do sistema seja livre, os fabricantes de aparelhos ainda precisam pagar licenças pelo uso dos componentes proprietários e precisem aderir às normas definidas pelo Google para uso do sistema. É uma situação similar à de muitas distribuições Linux comerciais, onde você pode usar livremente os pacotes abertos, mas precisa pagar uma licença de uso pelo pacote completo, devido à presença de alguns componentes proprietários. O Google ganha também dinheiro com os acessos aos serviços (e a exibição de anúncios) e com comissões sobre as vendas de aplicativos através do Android Market.

Além da questão do licenciamento, existem também exigências com relação a componentes. Com exceção de acordos específicos, todos os dispositivos devem ter tela touch-screen, câmera, bluetooth e GPS. Aparelhos sem algum destes componentes não recebem o carimbo de compatibilidade e consequentemente não podem oferecer acesso ao Android Market (pelo menos não legalmente), como é o caso de muitos tablets e celulares de baixo custo made in China.

Do ponto de vista do usuário também existem algumas restrições, já que o sistema roda em modo user-space, onde você não tem acesso à pastas do sistema nem permissões para alterar muitas configurações (seguindo o exemplo, seria como usar o Ubuntu com uma conta regular de usuário, sem acesso ao sudo), não pode regravar o firmware com imagens que não tenham sido assinadas pelo fabricante e assim por diante. Na maioria dos aparelhos é possível obter acesso root usando exploits disponibilizados pela comunidade, mas já existem casos de aparelhos com proteções de hardware contra o feito, como o no caso do Motorola Droid X, que embora tenha sido rapidamente quebrada, indica que a maioria dos fabricantes não são exatamente simpáticos à ideia.

Em outras palavras, embora o sistema seja predominantemente open-source, o sistema está longe de ser completamente aberto (sem contar as proteções incluídas nos aparelhos) por isso é importante pesquisar sobre a disponibilidade de exploits para obter acesso de root e de versões modificadas das ROMs antes de se decidir pela compra de um modelo específico.

Além do Android Market (http://www.android.com/market/), existem também lojas menores que oferecem aplicativos para a plataforma, oferecendo opções para os desenvolvedores que tiveram seus aplicativos rejeitados, ou querem um canal para vender aplicativos sem o pagamento de comissões. Dois exemplos são o http://andappstore.com e o http://slideme.org/. É possível também instalar aplicativos localmente através do comando “adb install”, disponível no SDK.

Entendendo o Sistema

O primeiro aparelho comercial baseado no Android foi o HTC G1, lançado em outubro de 2008, que foi baseado no Android 1.5 e posteriormente atualizado para o 1.6 (a mesma versão que é ainda usada em muitos tablets e em alguns smartphones recentes, como no caso do diminuto Sony X10 Mini). O G1 não foi um aparelho particularmente bem-recebido, já que era volumoso e o sistema de deslizamento do teclado era frágil e tendia a apresentar problemas com o uso, mas ele oferecia uma configuração bastante sólida para a época, com um processador Qualcomm MSM7201A (ARM11) de 528 MHz, tela HVGA (480×320) sensível ao toque, teclado QWERTY deslizante, câmera de 3.2 MP, Wi-Fi, Bluetooth, GPS e suporte a 3G com HSDPA.

Embora oficialmente o G1 tenha ficado estacionado no Android 1.6, é possível atualizá-lo para o 2.1 (e em breve também para o 2.2) através do Cyanogen (http://www.cyanogenmod.com/), permitindo que ele continue prestando bons serviços.

O Android oferece suporte a várias resoluções de tela, o que permite que aparelhos com telas HVGA ou até mesmo QVGA (320×240) convivam com aparelhos maiores, com telas WVGA (800×480) ou até mesmo maiores que isso. Telas de alta resolução são uma grande melhoria com relação ao acesso web e visualização de e-mails e documentos, já que não apenas tornam o texto e gráficos muito mais legíveis, mas também permitem que uma pessoa com boa visão consiga ler diretamente a maioria das páginas, sem precisar dar zoom no texto.

Para quem está acostumado a navegar em aparelhos com o S60, com suas telas QVGA, a diferença é realmente muito grande.

Embora a navegação possa ser perfeitamente feita unicamente através de toques sobre a tela (a partir do Android 2.2 está disponível inclusive o suporte a multitouch, com gestos para zoom e outras funções), quase todos os aparelhos oferecem também um trackpoint ou direcional, que permite rolar a página e navegar entre os links sem o risco de clicá-lo. Ele não é um recurso obrigatório, mas é bastante desejável. Em alguns modelos (como no HTC Desire), ele é substituído por um sensor óptico ou por um pequeno touchscreen, que oferecem mais precisão e permitem rolar páginas longas mais rapidamente.

Embora existam modelos com teclados físicos, como no caso do Motorola Milestone (Droid), a grande maioria dos modelos sacrificam o teclado em favor de um design mais fino, como no caso do Samsung Galaxy S, que combina um processador ARM Cortex A8 de 1.0 GHz, câmera de 5 MP e tela AMOLED de 800×480 em um aparelho com apenas 9.9 mm de espessura.

Via de regra, todos os aparelhos com o Android devem oferecer tela touchscreen, câmera, Bluetooth e receptor GPS, já que estes são pré-requisitos para o uso dos aplicativos do Google e acesso ao Android Market. Combinados com o suporte a 3G e Wi-Fi, que são também padrão atualmente, temos configurações bastante poderosas.

A falta do teclado físico é parcialmente amenizada pela variedade de teclados via software que estão disponíveis, que incluem versões com suporte a multitouch (inaugurado pelo Droid X) e também versões “swipe”, onde você pode deslizar os dedos de uma tecla a outra, sem precisar tirá-los do teclado.

Invariavelmente, os teclados virtuais resultam em mais erros de digitação, mas eles por outro lado oferecem melhores possibilidades de personalização (o teclado pode oferecer teclas “.com”, smiles, etc. de acordo com o aplicativo, que não são possíveis em um teclado físico) e parte dos erros podem ser corrigidos automaticamente com a ajuda do corretor ortográfico. Com a evolução dos métodos de entrada, já chegamos a um ponto em que muitos preferem usar os teclados virtuais a usar um teclado físico mediano, como o do Motorola Milestone, por exemplo.

O grande problema de aparelhos grandes com tela touchscreen é que é praticamente impossível usá-los com apenas uma mão, como é possível nos telefones com teclados numéricos e em modelos como o Nokia E71/E63 e os BlackBerry. Em outras palavras, eles são muito bons para navegar na web, ver fotos, assistir vídeos, rodar jogos, etc., mas são menos eficientes na aplicação básica: fazer e receber chamadas.

Isso tem levado ao surgimento de aparelhos que combinam telas QVGA ou HVGA touchscreen com um teclado e direcional, como no caso do Kogan Agora Smar.

Aplicativos e interface

Em vez de rodar aplicativos nativos, escritos em C ou outra linguagem, o Android utiliza predominantemente aplicativos compilados como bytecode, que são executados dentro de uma máquina virtual Java (a Davilk). Isso sacrifica parte do desempenho (e reduz a eficiência energética, resultando em um maior consumo de energia), mas em troca oferece grandes ganhos em termos de portabilidade, já que permite que a mesma biblioteca de softwares seja usada em diversas arquiteturas de processadores. A penalidade de desempenho introduzida pela máquina virtual explica o grande ganho de desempenho de aplicativos no Android 2.2 em relação às versões anteriores, devido às muitas otimizações na JVM.

A principal exceção fica por conta dos aplicativos desenvolvidos através do Google Native Development Kit (NDK), que permite o uso de componentes escritos em C ou C++. Ele é geralmente utilizado por aplicativos complexos, que demandam todo o desempenho disponível (como no caso do port do Firefox para o Android) e precisam atender a um conjunto de normas bem mais rigorosas, para que seja preservada a compatibilidade com diversos dispositivos.

A interface do Android é bastante simples, composta por um conjunto de painéis deslizantes (você pode ajustar o número de painéis usados nas configurações: 1, 3, 7, etc.), que são alternados rolando a tela para o lado, similar ao iPhone. Os painéis podem ser usados tanto por atalhos para aplicativos quanto por widgets, permitindo que você agrupe todas as funções mais usadas. É possível também criar pastas.

O acesso aos demais aplicativos é feito através do menu deslizante, que seve como uma vala comum para todos os aplicativos instalados. Como um usuário médio acaba instalando mais de 30 aplicativos, ele logo se transforma em um lugar bagunçado, em que você não vai querer ir com muita frequência. Em vez de passar 30 segundos procurando cada vez que quiser abrir qualquer aplicativo, é mais eficiente arrastar os mais usados para a área de trabalho.

Como não temos um mouse com três botões, como em um desktop, muitas das funções ao acessadas através de toques longos, que assumem a função de segundo botão. Com um toque longo sobre a área de trabalho você acessa o menu de personalização (adicionar widgets, trocar o papel de parede, etc.) e com um toque longo sobre o botão home você acessa a lista de aplicativos abertos, por exemplo.

A grande maioria dos aparelhos baseados no Android utilizam telas touchscreen capacitivas (como no iPhone), em vez das tradicionais telas resistivas. Por uma lado isso é muito bom, já que as telas capacitivas podem ser usadas direto com os dedos, resultando em uma interação muito mais natural, mas por outro faz com que você não tenha muita precisão ao clicar nos elementos da interface, já que não é possível usar as unhas ou uma caneta como nas telas capacitivas.

Isso faz com que a interface e os aplicativos sejam projetados para mostrar botões e menus de opções desproporcionalmente grandes. Ao usar a orientação horizontal, a tela WVGA do Motorola Milestone mostra apenas três ou quatro opções dentro de um menu de seleção, por exemplo. Este é um fator que causa estranheza para quem vem do Symbian ou do Windows Mobile, onde a área da tela é melhor aproveitada.

O Android usa um sistema peculiar de gerenciamento de aplicativos, onde os aplicativos abertos continuam ativos depois de voltar à tela inicial, e são fechados apenas quando o sistema precisa de recursos. Por um lado isso melhora o desempenho aparente do sistema, já que com os aplicativos frequentemente usados acabam ficando o tempo todo carregados na memória, tornando o chaveamento entre eles muito rápido. O principal problema é que a ausência de um mecanismo para fechar aplicativos manualmente abre margem para que aplicativos mal-desenvolvidos continuem a usar processamento, memória ou tráfego de dados continuamente, sem que o usuário que outra forma de fechá-los que não seja um reset.

Isso levou ao aparecimento de aplicativos como o “Advanced Task Killer”, que permite matar aplicativos manualmente. Entretanto, a versão 2.2 do Android removeu as chamadas que permitem que um aplicativo finalize outros, tornando estes aplicativos inoperantes e trazendo de volta o problema.

Ao usar um clique longo sobre qualquer ícone no desktop, a aba do painel deslizante se transforma em uma lixeira, permitindo que você o delete. Entretanto isso apenas remove o ícone na área de trabalho, sem desinstalar o aplicativo. Para realmente removê-lo, é preciso acessar o “Configurações > Aplicativos > Gerenciar aplicativos”.

Por default, o sistema mantém os dados sincronizados entre os aplicativos, baixando e-mails automaticamente, mantendo-o conectado aos clientes de IM configurados e assim por diante. Naturalmente, isso pode consumir um generoso volume e dados, sem falar no uso da bateria, por isso muitos preferem desativar a função enquanto estão fora da cobertura da rede wireless. A forma mais prática de fazer isso é manter o widget de controle de energia na tela principal, ativando e desativando a função de sincronismo automático conforme desejado.

Todas as notificações do sistema são agrupadas na barra superior, que segue um conceito similar à barra do Gnome. O menu de notificações é aberto ao arrastar a barra para baixo e inclui opções de ações como ler e-mails, mudar o modo de conexão da porta USB e assim por diante. Ela é bastante prática, mas em compensação possui a desvantagem de ficar sempre visível, roubando espaço útil da tela. Apenas alguns aplicativos (como o OperaMini) oferecem a opção de operar em modo de tela cheia, escondendo a barra.

Instalando Aplicativos Locais

Por default, os aparelhos baseados no Android suportam apenas a instalação de pacotes através do Android Market, mas é perfeitamente possível instalar pacotes baixados manualmente, bem como aplicativos que por algum motivo não foram marcados como compatíveis com o seu aparelho (como o OperaMini no Motorola Milestone).

A maneira mais simples é usar o Sideload, um pequeno aplicativo disponível no http://forum.androidcentral.com/showthread.php?p=236589, que automatiza a tarefa. Além da versão Windows, ele está disponível para Linux e Os X (http://forum.androidcentral.com/android-applications/24362-sideload-wonder-machine-linux-mac.html).

Para usá-lo, acesse as configurações do aparelho e marque a opção “Aplicativos > Fontes desconhecidas” e em seguida a opção “Aplicativos > Desenvolvimento > Depuração USB”. Esta segunda opção é usada também por várias ferramentas do SDK, permitindo que o aparelho receba comandos pela porta USB.

Por default, ao ser conectado na porta USB o aparelho entra em modo de transferência de dados, permitindo o acesso aos arquivos no cartão de memória. Para permitir a instalação de softwares, é necessário clicar no ícono do USB na barra de notificações e mudar a opção para “Nenhum”, colocando-o em modo de comando:

Feitos estes passos, o uso do Sideload é surpreendentemente simples. No Windows está disponível uma interface que copia o arquivo selecionado para a pasta “payload” e em seguida executa o script de instalação, enquanto no Linux o script é chamado diretamente:

Outra opção é o Droid Explorer, que está disponível no http://de.codeplex.com/releases/view/48865.

O Forte do Android é poder compensar as deficiências do sistema com aplicativos de terceiros, chegando a um conjunto que atenda a quase todas as necessidades (um bom player para arquivos de vídeo locais, leitor de e-books, gravador de voz, etc., etc.).

A disponibilidade de uma ferramenta de desenvolvimento rápido como o App Inventor também abre muitas portas, já que permite que qualquer um com conhecimentos rudimentares de programação desenvolva aplicativos personalizados, tanto para uso pessoal quanto para uso corporativo.

O Motorola Droid foi o primeiro aparelho a ser lançado com o Android 2.0, uma versão que representou um grande salto de funcionalidade e desempenho em relação à agora “antiga” versão 1.6 (que embora tenha sido lançada poucos meses antes, subitamente passou a parecer obsoleta).

Como sempre, o Droid foi lançado inicialmente no mercado norte-americano, em parceria com a Verizon, o que explica o atraso em relação ao lançamento no Brasil.

Motorola Droid

Como a marca “Droid” é propriedade da Verizon (e não da Motorola), ao lançá-lo em outros países eles foram obrigados a mudar o nome do aparelho, daí ele se chamar “Motorola Milestone” no Brasil e na Europa.

Além do browser nativo baseado no Webkit, outra boa opção é o bom e velho Opera-Mini (que pode ser instalado manualmente). Ele funciona surpreendentemente bem na tela touch-screen e a boa resolução torna o texto especialmente legível. Ele vai agradar também a quem está usando um plano 3G com uma baixa quota de tráfego (ou usando algum plano pré-pago com cobrança por MB) já que o proxy remoto reduz muito o volume de dados transferidos.

A tela capacitiva e o suporte a toques múltiplos disponível a partir do Android 2.0 tornam os teclados bem mais utilizáveis, oferecendo uma experiência similar ao que temos nos iPod Touch e iPhones.

HARDWARE

Atualmente existem dois fabricantes disputando o mercado de smartphones high-end: a Qualcomm, com sua família Snapdragon e a Texas Instruments, com a linha TI OMAP 3xxx. O Milestone é baseado no OMAP 3430, que oferece um processador ARM Cortex A8 operando a 600 MHz. Além do clock mais alto, ele oferece um desempenho consideravelmente superior aos antigos ARM11 de 90 nm que equipam a maioria dos aparelhos anteriores. O processamento bruto é quase 2.5 vezes superior ao do ARM11 de 369 MHz usado no Nokia E71.

O principal diferencial do A8 (e do Scorpion, usado no Snapdragon) em relação aos antigos ARM11 é o fato de ele ser um processador dual-issue, que processa duas instruções por ciclo, contra uma única instrução do ARM11. A grosso modo, o ARM11 oferece uma arquitetura similar à do 486 (embora com um melhor desempenho por clock devido ao conjunto otimizado de instruções), enquanto o Cortex A8 utiliza uma arquitetura mais similar à do Pentium e à do Atom.

Embora ainda seja um processador competitivo (um A8 a 600 MHz é quase 2.5x mais rápido que o ARM 9 de 369 MHz do Nokia E71, por exemplo), o OMAP 3430 é um SOC já ultrapassado dentro da linha da Texas Instruments, sucedido pelo OMAP 3630, que é fabricado em uma técnica de 45 nm e é capaz de operar a 1.0 GHz, mantendo um consumo elétrico similar ao antecessor de 65 nm. Ele é um SoC que inclui também um processador gráfico PowerVR SGX 530, controlador de memória, 64 KB de cache L1 e 256 KB de L2, processador de sinais.

A rápida evolução dos SoCs e do Android têm levado a uma verdadeira corrida entre os fabricantes, que passaram a lançar novos modelos em um ritmo frenético, criando uma evolução rápida, que por uma lado é boa, já que tem levado a um rápido amadurecimento da plataforma, e por outro ladocomplica as escolhas e faz com que os modelos fiquem ultrapassados rapidamente.

Apenas 8 meses depois de lançado, o Droid original já recebeu dois sucessores: o Droid X e o Droid 2. Ambos são baseados no mesmo TI OMAP 3630 de 1.0 GHz, mas se diferenciam no tamanho da tela (o Droid X usa uma tela maior, de 4.3″), na câmera (5 MP no Droid 2 e 8 MP no Droid X) e, principalmente no formato, já que o Droid 2 mantém o teclado físico do Droid (com modificações na disposição), enquanto o Droid X sacrifica o teclado em favor do design mais fino e da câmera de 8 MP com zoom óptico.

Droid X

Para 2011 é esperado o lançamento dos SoC TI OMAP 4xxx, que serão baseados no Cortex A9, que representa um grande salto de desempenho em relação ao A8, com a adoção de uma arquitetura de processamento fora de ordem (como no Core 2 Duo) e o suporte a múltiplos núcleos. Com o lançamento do AMAP 4xxx, os chips OMAP 3430 e 3630 cairão de preço, passando a substituir os antigos ARM11 nos modelos de baixo e médio custo.

Tablets e Smartbooks

Além dos smartphones, a Google apostou acertadamente nos tablets, que são um ramo em que o Android rapidamente ganhou a preferência dos fabricantes e onde ele deve fazer um grande sucesso a partir do final de 2010.

Os tablets já são os protagonistas dentro do mercado tecnológico, sucedendo os netbooks. Há quem diga que os tablets podem eventualmente substituir os notebooks e até mesmo os desktops (já que eles permitem combinar portabilidade com o uso de dock-stations com teclado, mouse e outros periféricos para uso estacionário), mas esta é uma previsão difícil de sustentar, já que tipicamente os tablets usam telas muito pequenas (de 7″ a 12″), enquanto os notebooks se especializam em telas de 14″ a 17″ e os desktops em telas ainda maiores, ou no uso de múltiplos monitores.

o fato de que o Android permite a criação de dispositivos bastante leves e baratos, baseados em processadores ARM, indo dos antigos ARM9 (que podem ser usados em tablets de baixo custo e leitores de e-books) aos chips baseados no Cortex A9, que competem com o Atom em termos de desempenho. Já existe também um port do Android para processadores x86, que pode ser usado pelos fabricantes que prefiram produzir tablets baseados no Atom. Muitos dos SOCs atuais suportam a decodificação de vídeos full-HD, o que combinados com telas de boa resolução permitem criar dispositivos de entretenimento bastante poderosos.

Os tablets produzidos pelos grandes fabricantes devem orbitar na faixa de preço dos 300 a 500 dólares, a mesma faixa de preços dos netbooks, mas já temos fabricantes chineses produzindo tablets muito mais baratos, abaixo da faixa dos 100 dólares, como no caso dos tablets Eken M001 e M002, que podem ser comprados por de US$ 95 a 110 em lojas internacionais e chegam a custar menos de US$ 90.

Porém, a qualidade de construção destes tablets não é boa e o índice de defeitos é bastante alto. A configuração de hardware também não ajuda, pois eles utilizam apenas 128 MB de RAM, combinados com um processador VIA 8505 de 566 MHz ou outro ARM 9 similar (cujo desempenho por clock é de 2 a 3 vezes inferior ao dos ARM Cortex A8 usados nos smartphones atuais), com um controlador gráfico fraco. Entretanto, apesar de limitados, eles podem ser usados para navegar na web, ler e-books ou mesmo assistir vídeos de baixa resolução, o que já é interessante considerando o preço.

Eles incluem apenas 2 GB de memória Flash de armazenamento, que podem ser expandidos através de um cartão SD e uma interface de rede Wi-Fi. Por não possuírem câmera, Bluetooth e nem GPS estes tablets não podem ser certificados para utilizarem o Android Market, o que leva ao uso de hacks diversos para acessar lojas alternativas, ou o próprio Android Market de forma clandestina. A compatibilidade com os aplicativos também varia, já que eles rodam versões antigas do Android (tipicamente o 1.6 ou 1.7) e não oferecem recursos usados por muitos aplicativos (Bluetooth, câmera, etc.).

Já começam a surgir também algumas iniciativas governamentais, como no caso do tablet de US$ 35 que o governo indiano pretende produzir para o uso da educação. Ele é bem similar ao Ekin M001, com uma tela de 7″, Wi-Fi, processador ARM 9 e o Android 1.6, e pode vir a ser produzido em volume a partir de 2011. A redução no custo reside na fabricação em massa de um único modelo (em vez de lançar novos modelos a cada mês, produzindo um punhado de unidades de cada um, como fazem muitos fabricantes), utilizando componentes baratos e mão de obra local.

Smartbooks:

Embora tenham deixado de ser o centro das atenções, temos também alguns modelos de smartbooks, que compartilham dos mesmos componentes dos tablets (adicionando apenas o teclado, o touchpad e a carcaça maior) e estão também sendo vendidos na faixa dos US$ 100 pelos fabricantes Chineses.

Não devemos ver muitos modelos de smartbook por parte dos grandes fabricantes, que estão preferindo apresentar designs de tablets com teclados removíveis, imitando o iPad.

Froyo

O “Froyo” foi possivelmente a versão mais aguardada do Android, pois, embora tenha sido apenas um point-release, ele trouxe melhorias significativas em relação ao Android 2.1.

O primeiro deles foi o suporte nativo a Flash, permitindo que os aparelhos sejam capazes de visualizar vídeos e jogos embutidos em páginas diretamente, sem precisar de clientes locais como no caso do Youtube. Naturalmente, o suporte a flash pode ser desativado nas configurações, já que o carregamento das propagandas resulta em um grande desperdício de banda e processamento.

O suporte a Flash veio acompanhado de uma grande atualização na compilador Dalvik, que melhorou o desempenho da compilação em tempo real em mais de 100%, resultando em uma subta melhoria no desempenho de muitos aplicativos, sobretudo nos jogos.

Além da melhoria de desempenho derivada do compilador, o navegador recebeu outro upgrade na forma do interpretador java-script V8, portado a partir do Chrome. Isso resultou em uma grande melhoria adicional no tempo de carregamento de páginas dinâmicas.

Outra melhoria muito aguardada foi o suporte nativo a tethering da conexão 3G, permitindo o compartilhamento da conexão através da interface Wi-Fi (transformando o telefone em um ponto de acesso) e também via Bluetooth. A opção fica bem visível dentro do “Configurações > Redes sem fio e outras”, permitindo não apenas conectar facilmente através de um notebook, mas também acesso por parte de outros smartphones com suporte a Wi-Fi.

Antes disso, o compartilhamento só era possível apenas através de aplicativos como o Android-wifi-tether, que funcionavam apenas em aparelhos com acesso de root. Esta era sem dúvidas uma grande desvantagem da plataforma, já que esta é uma função que está a muitos anos disponível em aparelhos da Nokia (e até mesmo em featurephones de outros fabricantes), que podem ser usados como modems 3G ou GPRS ao serem conectados via USB ou bluetooth. Com o suporte a tethering, o Google virou a mesa, oferecendo um sistema simples de compartilhamento via Wi-Fi.

O sistema recebeu também novas APIs, incluindo funções para backup e para controle remoto a partir do PC, que permitem que aplicativos enviem links e executem outras funções (como abrir uma página web, abrir uma rota no Google Maps ou instalar aplicativos via Wi-Fi a partir do PC), adicionando várias possibilidades em termos de desenvolvimento.

Duas outras melhorias foram a possibilidade de atualizar todos os aplicativos adicionais de uma só vez (em vez de precisar atualizá-los um por um) e a possibilidade de instalar aplicativos no cartão de memória, uma mudança importante para quem gosta de testar muitos aplicativos.

Este conjunto de melhorias transformaram o Froyo em uma espécie de requisito mínimo para qualquer aparelho de respeito. Ao comprar, não deixe de antes checar se o Froyo (ou superior) já vem pré-instalado, ou se está disponível através de uma atualização de firmware.

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Em plena versão 2.2, o Android é ainda surpreendentemente limitado com relação às funções de mídia, dependendo fortemente do uso de aplicativos de terceiros. É bem verdade que aparelhos como o Droid X se superam com relação à captura de fotos e vídeos e o sistema oferece um bom software de visualização para as galerias, mas ele ainda peca com relação às funções básicas, para exibir vídeos, músicas e podcasts.

O player de áudio padrão é bastante primitivo e, apesar do grande poder de processamento dos aparelhos (que seria mais do que suficiente para exibir a maioria dos vídeos sem precisar de conversão), o Android é surpreendentemente limitado com relação aos formatos de vídeos suportados, reproduzindo apenas arquivos em Flash e vídeos x264 em um container MP4. O sistema (pelo menos até a versão 2.2) não possui sequer um bom aplicativo para a exibição de vídeos locais, dependendo unicamente da galeria para a exibição de clipes.

Isso cria um a incongruência onde se tem um aparelho capaz de reproduzir vídeos do youtube e outras fontes de streaming sem falhas, porém não consegue reproduzir um simples arquivo no formato  de vídeo “.avi” copiado para o cartão de memória.

A solução é reencodar todos vídeos antes de transferí-los para o aparelho, assim como faríamos ao preparar vídeos para um iPod, criando um vídeo com container mp4, com codificação x264 e áudio aac, uma opção facilmente encontrada em diversos aplicativos de conversão. No Windows, você pode utilizar também o Android Converter, que oferece opções diretas para os formatos suporados: http://www.android-converter.com/en/.

É possível também fazer a conversão manualmente usando o mencoder (a melhor opção para quem gosta de criar seus próprios scripts). Nesse caso o comando é:

mencoder Video.avi -o Video.mp4 -of lavf -lavfopts format=mp4 \
-ss 1 -vf pp=ci,scale=428:320,expand=428:320,harddup -ovc x264 \
-x264encopts crf=30.0:nocabac:level_idc=30:bitrate=512:global_header:threads=2 \
-ofps 30000/1001 -oac faac -faacopts mpeg=4:object=2:br=128:raw -channels 2 \
-srate 44100 -af volnorm

Note que os dois primeiros parâmetros indicam os arquivos de entrada e saída (que podem ser substituídos por variáveis em um script), enquanto os outros dois em negrito indicam a resolução e o bitrate. O parâmetro “expand=” não é realmente necessário, mas ele assegura que o aspecto original seja mantido no caso de vídeos no formato 16:9. Como de praxe, a resolução deve ser ajustada de acordo com o aspecto do vídeo (4:3 ou 16:9) e a resolução da tela (e poder de processamento) do aparelho. Alguns exemplos de resolução são:

4×3: 428×320, 480×360, 640×480
16×9: 480×270, 640×360, 800×450, 852×480

O bitrate não têm uma grande influência no desempenho. Você pode aumentá-lo de 512 para 1024 (a última opção) caso desejado. Em geral, os aparelhos com processadores ARM11 são capazes de decodificar vídeos de no máximo 480×352, enquanto os aparelhos baseados no Cortex A8 possuem poder de fogo para resoluções um pouco maiores. O Motorola Milestone, por exemplo, é capaz de reproduzir vídeos a 852×480 (a resolução nativa da tela) sem muitos solavancos.

Aproveite para instalar o “Video Player” (gratuito) através do Android Market, que embora não adicione suporte a mais formatos, pelo menos oferece uma interface utilizável para visualizar os vídeos copiados para o cartão.

Outra opção é o Meridian Media Player, que nasceu como um player de áudio, mas que atualmente oferece também boas opções de exibição de vídeos, incluindo o suporte a legendas.

Outra particularidade digna de nota é a disponibilidade do SDK, que pode ser usado não apenas para quem quer desenvolver aplicativos, mas também para quem quer testar novas versões do sistema sem precisar de um aparelho físico. Ele é também necessário para o uso de muitos “hacks”, incluindo alguns tipos de modificações de firmware, instalação de pacotes baixados manualmente e assim por diante.

Você pode baixar o SDK do Android no: http://developer.android.com/sdk/index.html

Para instalar o Android SDK, o primeiro passo é ter o Java SDK (o pacote de desenvolvimento, diferente do JRE que é usado pelo plug-in do navegador) instalado. Você pode baixá-lo no http://java.sun.com/javase/downloads/index.jsp, onde você encontra também a versão Linux (que geralmente não é necessária, já que você pode instalar o Java a partir do gerenciador de pacotes).

Opcionalmente, você pode instalar também o Eclipse (http://www.eclipse.org/downloads/), mas ele é necessário apenas se você pretender usar o plug-in ADT.

O próximo passo é baixar o Android SDK Manager disponível no http://developer.android.com/sdk/, que possui versões para Windows, OsX e Linux. A instalação das três versões é virtualmente idêntico, bastando executar o “SDK Setup.exe”, ou o “tools/android” para abrir o gerenciador e prosseguir com a instalação dos componentes.

Via de regra, você precisará dos pacotes Android SDK Tools, SDK Plataform e Google APIs, mas o Samples for SDK é também uma boa pedida, já que inclui muitos exemplos de desenvolvimento. No Windows e no OS X é necessário instalar também o USB Driver Package, que está no final da lista:

Caso você receba um erro de SSL ao fazer o download das fontes, marque a opção “Force https:// sources to be fetched using http://” no “Settings > Misc” e atualize novamente. Outro erros são normalmente causados por falhas na instalação do Java, que são comuns especialmente no Linux. Nesse caso o mais simples é remover os pacotes instalados e reinstalar o Java usando os pacotes da Sun.

No Windows, abra o gerenciador de dispositivos e verifique se o dispositivo “Fabricante ADB Interface” está corretamente instalado. Caso esteja com uma interrogação, faça uma instalação manual, apontando os drivers dentro da pasta “usb_driver” (na pasta onde o SDK foi descompactado) ou os drivers do fabricante.

Com os componentes baixados, é hora de criar a máquina virtual na aba “Virtual Devices”. Veja que juntamente com a resolução da tela e a capacidade do cartão SD que será emulado, é possível escolher também a versão do sistema que será usada (de acordo com os pacotes baixados no passo anterior), bem como outras opções de hardware, como a quantidade de memória RAM, a presença ou não de uma câmera e um transmissor GSM e assim por diante, que são simulados usando a conexão de rede e outros periféricos do seu PC. Como novas versões do sistema são disponibilizadas no SDK bem antes que aparelhos baseados nelas cheguem efetivamente ao mercado, ele acaba sendo também uma excelente opção para testar as mudanças em primeira mão.

Você notará que a aparência do sistema é bem diferente que o encontrado na maioria dos aparelhos, já que os fabricantes aplicam skins visuais e pré-instalam aplicativos diversos como uma forma de diferenciar seus aparelhos, enquanto o emulador oferece uma versão vanila do sistema. Outra coisa a ter em mente é que o desempenho do emulador é consideravelmente mais baixo que o de um aparelho real, pois o processo de emulação (feito com base no código do Qemu) resulta em uma redução de 90 a 98% no desempenho. Seria preciso um Core i5 de 5 GHz para rodar o emulador com o mesmo desempenho de um aparelho baseado no Cortex A8 de 1.0 GHz, por exemplo.

Com exceção disso, o emulador é uma representação bastante fiel de um aparelho real, com a opção de escalonar a tela para que ela fique do mesmo tamanho da de um aparelho real, simulação do acesso à web usando a conexão de rede do seu PC, simulação do touchscreen usando o mouse e assim por diante:

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OBTENDO ACESSO DE ROOT

A principal escolha ao comprar um aparelho com o Android é se você quer “apenas usar’, mantendo o sistema em modo usuário e se limitando às atualizações disponibilizadas pelo fabricante, ou se você quer ter acesso completo de root, com liberdade para usar aplicativos que exploram o hardware de maneiras não previstas e testar versões modificadas ou portadas do sistema. Outra vantagem é que você obtém acesso irrestrito a todas as pastas e configurações do sistema, com liberdade para ajustar as configurações do transmissor 3G ou qualquer outra modificação que quiser testar.

Para obter acesso de root, é necessário procurar por algum exploit para o modelo e a versão do Android usada. Esta é uma corrida sem fim, já que conforme o sistema evolui, muitas brechas são fechadas e outras são descobertas, em uma corrida similar à que temos no caso do jailbreak do iPhone.

Como cada aparelho é um caso, não existe outra solução senão pesquisar pelos arquivos necessários no seu caso, pesquisando por “root acess modelo versão”, como em “root access motorola milestone 2.1”. Além do Google, quatro bons lugares para pesquisar são o http://www.mydroidworld.com, o http://theunlockr.com/how-tos/android-how-tos/, o http://forum.xda-developers.com e o http://forum.cyanogenmod.com/forum/, ou em português no http://forum.portalandroid.org/.

No caso do Motorola Milestone com o Android 2.1, por exemplo, é necessário obter dois arquivos, o “vulnerable_recovery_only_RAMDLD90_78.zip” disponível no http://and-developers.com/sbf (link no final da página) e do “milestone_root.zip”, disponível no http://www.4shared.com/file/253172176/f78e0294/milestone_root.html

O primeiro arquivo é um “backport” de uma vulnerabilidade disponível no firmware 2.01, enquanto o segundo inclui as modificações necessárias para ativar o acesso de root.

Para gravar o primeiro arquivo é usado o RSDLite, uma ferramenta da Motorola para desenvolvedores que permite regravar firmwares. ele não está disponível para o público, mas pode ser encontrado facilmente pesquisando no Google por “RSDLite4.6.msi”. No caso do Windows 7, é necessário executá-lo em modo administrador, acessando as propriedades.

Com ele instalado, conecte o telefone em modo de depuração USB (marcando a opção “Aplicativos > Desenvolvimento > Depuração USB” e em seguida clicando sobre a área de notificação e mudando o modo de conexão USB para “nenhum”) e em seguida abra o RSDLite. depois que ele detectar o aparelho (pode demorar um pouco), selecione o arquivo e aplique a atualização:

Ele reiniciará o aparelho no meio da atualização (nos 33%) e em seguida testará a atualização antes de concluir. No final, é recomendável reiniciá-lo mais uma vez antes de voltar a usá-lo.

Esta modificação apenas restaura a brecha que era usada na versão 2.0.1, permitindo o uso do exploit. O segundo passo é instalar o milestone_root.zip, usando o modo de depuração.

O primeiro passo é renomear o arquivo para “update.zip” (no Windows, desmarque a opção de esconder as extensões de arquivos no explorer, caso contrário ele vai duplicar a extensão) e o copie para o cartão de memória (é necessário desativar o modo de depuração nas configurações e mudar o modo do USB novamente para “Gerenciamento do cartão de memória”).

Com o arquivo copiado, desligue o aparelho, pressione o botão da câmera e o ligue novamente sem soltá-lo até que apareça o triângulo de aviso:

Nesse ponto é necessário pressionar simultaneamente o botão da câmera e o botão de aumentar o volume para acessar o menu de serviço. O tempo de tolerância do sistema é extremamente baixo.

No menu de serviço, ative a opção “apply sdcard:update.zip” usando o direcional. Está disponível também uma opção para fazer um hard-reset, apagando todos os arquivos. A atualização é bastante rápida, mas mesmo assim é sempre bom certificar-se de que a bateria está carregada antes de fazê-la. No final, você verá um “Rooting your phone… Istall from sdcard complete”. Nesse ponto é só voltar ao menu e reiniciar o aparelho usando a primeira opção.

Com o modo root ativo, você ganha acesso a todos os aplicativos que precisam de acesso irrestrito ao sistema para funcionar, como o Android-wifi-tether (http://code.google.com/p/android-wifi-tether/) que permite compartilhar a conexão via Wi-Fi no Android 2.1, o Android-nc-server (http://code.google.com/p/android-vnc-server/) que permite controlar o telefone através do PC, entre muitos outros.

Há a possibilidade de modificar a imagem do sistema, ou de instalar ROMs modificadas, o que pode ser feito facilmente (uma vez que o aparelho estiver em modo root) usando o “Rom Manager”, que está disponível no Android Market. Ele permite baixar e gravar ROMs modificadas, bem como fazer e restaurar backups das imagens atuais.

Um dos projetos mais conhecidos é o Cyanogenmod (http://www.cyanogenmod.com/), que disponibiliza firmwares modificados e atualizações para diversos modelos. Ele é uma das melhores fontes para quem procura atualizações para modelos descontinuados (como no caso do HTC G1) ou quer se livrar dos aplicativos do Google e dos crapwares incluídos pelas operadoras.

CUIDADO: no caso dos aparelhos nacionais é que quase sempre as imagens disponíveis são para as versões Europeias dos aparelhos, que geralmente não incluem a tradução para o Português (ou oferecem apenas o Português de Portugal), utilizam layouts de teclado diferentes e ainda por cima nem sempre oferecem suporte às frequências 3G usadas por aqui, fazendo em muitos casos com que o aparelho opere em modo EDGE/GPRS até que o firmware seja substituído pelo correto.

MAIS CUIDADO AINDA: SEGUIR ESSE PROCEDIMENTO EM APARELHO QUE NÃO O COMPORTA VAI REZULTAR EM FERRAR O SEU ANDROID, E TENHO DITO ISSO PORQUE FERRA MESMO, ENTÃO SE QUER SE ARRISCAR É POR SUA CONTA

Concluindo, o RSDLite pode ser usado também para gravar firmwares diversos em aparelhos da Motorola, que podem ser baixados no http://and-developers.com/, permitindo instalar um firmware de uma operadora nacional em um aparelho GSM da Europa, por exemplo. No site estão disponíveis dois tipos de firmwares, as versões regulares (que vêm sem aplicativos extras) e as versões de serviço (Service Versions) que vêm com as personalizações e aplicativos das operadoras.

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APLICATIVOS

Assim como no caso do iPhone, grande parte da utilidade de um aparelho baseado no Android não está no sistema propriamente dito, mas sim no grande volume de aplicativos disponíveis para ele. Vamos então a uma lista rápida de aplicativos úteis, que podem ser instalados através do Android Market.

Documents to Go: Esta é possivelmente a melhor suite de escritório disponível para o Android, compatível com os arquivos do Office. Ele já vem pré-instalado em alguns aparelhos e para os demais está disponível um leitor gratuito (abre os arquivos sem editar) e a opção de comprar a versão completa por US$ 29.

TwitterRide: Existem inúmeros clientes de Twitter disponíveis para o Android, mas o TwitterRide se destaca pelo bom desempenho e o bom conjunto de recursos.

Layar: Este é um aplicativo de realidade aumentada, que mostra (com base na sua localização, fornecida pelo GPS) informações sobre locais e pontos de interesse. Ele funciona sobreponto links e outras informações sobre as imagens capturadas pela câmera, como em uma espécie de HUD futurístico. Além da visão em modo HUD usando a câmera (que perde a graça depois dos primeiros cinco minutos) ele mostra as informações também em forma de lista. Outro aplicativo similar é o Wikitude, que mostra munimentos e atrações com descrições na Wikipedia.

Sportypal: Oferece funções similares à do (agora agora) SportsTracker para aparelhos da Nokia, permitindo monitorar sessões de exercício com a ajuda do GPS e do acelerômetro. Ele loga diversos detalhes, como a rota, distância percorrida, tempo, etc. e é capaz de exibir os detalhes em um gráfico ou sobre o mapa. Ele pode ser usado também para logar distâncias percorridas, seja caminhando ao seja de carro.

Barcode Scanner: Permite escanear mobilecodes, bem como códigos de barras de produtos. Os códigos de barras são mais úteis para usuários dos EUA, devido à função de pesquisar pelo produto no Google Shop (que oferece comparações de preços, etc.) mas mesmo assim é interessante manter um link para ele em um dos painéis iniciais para poder ler rapidamente mobilecodes com links e informações diversas.

Gmote: Permite transformar o aparelho com o Android em uma espécie de player remoto, tocando música e vídeos via streaming, a partir do PC. Ele oferece também funções de controle remoto para o player no PC, transformando o telefone em uma espécie de fone e controle remoto sem fio. Ele é uma boa opção para ouvir música usando os fones, sem precisar copiar todos os arquivos para o cartão de memória e sem ficar preso na frente do PC. A desvantagem é que ele funciona em conjunto com um servidor local (apenas para windows), que precisa ser instalado no PC.

Shazam: Permite descobrir o nome e o cantor de uma música apenas por gravar um pequeno trecho. Ele trabalha em conjunto com um servidor remoto, que compara o trecho gravado com uma grande biblioteca de canções e devolve informações sobre ela.

Locale: Mais um aplicativo baseado na localização, que permite criar gatilho para funções programadas com base na localização. Você pode usá-lo para mudar o telefone para o modo silencioso quando estiver em casa, mudar o wallpaper ou disparar algum aplicativo específico quando estiver perto do escritório e assim por diante. O grande problema é que mantê-lo aberto drena consideravelmente a bateria, já que ele mantém o GPS ativo e continua a calcular as coordenadas periodicamente.

Astro: Este é mais um aplicativo gratuito que merece entrar para o cinto básico de utilidades. Ele é um gerenciador de arquivos locais, que além das funções básicas de navegar, mover e deletar arquivos, inclui visualizadores para diversos formatos de arquivos e suporte ao acesso de compartilhamentos de rede:

ASTRO FILE MANAGER

Se você não precisa das funções de acesso a compartilhamentos, outra boa opção é o Explorer, que tem a vantagem de ser mais prático de usar para funções básicas de gerenciamento.

TxtPad Lite: Um editor de texto simples, com suporte a múltiplos encodings (UTF, ISO, etc), copiar e colar, seleção da fonte, funções de busca e substituição, etc. o que o tornam mais um aplicativo básico para o kit de ferramentas, servindo para editar arquivos de texto criados no PC (bem como páginas web ou código) e para fazer anotações. Como um bônus, ele oferece a opção de enviar os arquivos de texto por e-mail ou SMS, o que permite que ele seja usado também como um compositor de mensagens.

Remote RDP Lite: Permite acessar máquinas Windows remotamente, via RDP. Ele permite acessar seu PC remotamente para realizar tarefas rápidas, bem como administrar servidores remotos. A principal limitação é que é muito difícil de utilizar as seções em aparelhos com telas capacitivas (ou seja, quase todos os modelos atuais), pois é quase impossível clicar em pontos específicos, como seria possível usando uma stylus em aparelhos com telas resistivas. Ele oferece funções de zoom e arrasto, que torna as seções mais ou menos utilizáveis, mas que em compensação o obrigam a fazer muitos malabarismos para conseguir fazer qualquer coisa. Em resumo, é um utilitário bem interessante, mas que você acaba não utilizando muito.

androidVNC: Similar ao Remote RDP, mas agora para seções do VNC.

ConnectBot: O obrigatório cliente SSH em modo texto para acesso a PCs e servidores Linux. É recomendável usá-lo em conjunto com o Full Keyboard, que oferece acesso às teclas de atalho usadas nas seções.

SwiFTP: Uma boa pedida para facilitar a cópia dos arquivos para o cartão. Ele é um aplicativo gratuito que permite o acesso aos arquivos do cartão (e também a pastas da memória interna) via FTP, transformando o telefone em um mini-servidor de arquivos, acessível via Wi-Fi.

Ao abrí-lo pela primeira vez, indique o usuário e senha de acesso e a pasta que será compartilhada. Para ter acesso direto aos arquivos do cartão, por exemplo, use a pasta “/sdcard”. Uma vez ativo, ele mostrará o endereço de rede do aparelho, permitindo que vocêo acesse a partir e qualquer cliente FTP ou navegador com suporte ao protocolo (ftp://endereço:porta, como em ftp://192.168.1.3:2121). Existe também uma opção de acesso via proxy, que permite acessar um aparelho dentro de uma rede interna através da web. O desempenho da transferência é muito bom, mesmo em aparelhos com processadores mais lentos.

É importante enfatizar que o protocolo FTP não oferece nenhum tipo de segurança. Mesmo o login exigido ao logar é apenas uma formalidade, já que a senha poe ser descoberta muito facilmente ao snifar a rede. Por isso, é importante ativar o servidor apenas quando for utilizá-lo, parando-o em seguida.

xPiano: Transforma o telefone em um pequeno teclado musical, com a simulação de doze instrumentos e ajuste de timbre. Ele é bastante limitado se comparado a um teclado de verdade (poucos ajustes, registra o toque de apenas duas teclas de cada vez, etc.), mas pode ser útil para quem está aprendendo ou para fazer improvisos.

Wifi Analizer: Usa o transmissor Wi-Fi para medir o sinal dos pontos de acesso próximos, permitindo não apenas detectar as redes disponíveis, mas também verificar a potência do sinal de cada uma (em DBi) e criar um mapa do uso de cada canal. Além da aplicação óbvia de descobrir redes abertas disponíveis nas proximidades, ele é muito útil na hora de descobrir qual é o canal mais limpo para usar na configuração do seu ponto de acesso.

GRANDE PARTE DOA .APKs AQUI LISTADOS PODEM SER ENCONTRADOS AQUI (http://cid-8e9b5356a248aa0c.skydrive.live.com/redir.aspx?resid=8E9B5356A248AA0C!393) ou se preferir utilize o software para baixar Apps instalado no seu Android.

FONTES: http://www.android.com; developer.android.com; SDK do Android; http://code.google.com/intl/pt-BR/android/;  http://www.hardware.com.br/tutoriais/android/; http://www.hardware.com.br/tutoriais/android-2/; http://www.hardware.com.br/tutoriais/android-3/

2011 02 25

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